terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Nasce a Bhanda da Bhaixa da Hégua


Os paidéguas Carlinhos Melo e Vavá das Candongas

Um dos fundadores da BICA, o empresário Vavá das Candongas morava na famosa Rua da Baixa da Égua, em Educandos, e se ressentia do fato de a festança portuguesa acabar na madrugada de domingo.

Biriteiro profissional, ele queria que aquela agitação continuasse pelo menos até a noite de domingo e, por acreditar muito nisso, durante quatro anos tentou catequizar voluntários para sua causa supostamente inglória.

Em 1991, durante um porre memorável no Bar Casa Ideal, do comerciante Renato Freitas, ele conseguiu convencer mais meia dúzia de malucos a embarcarem no seu velho sonho.


Coronel Benfica e Renato Freitas, o dono da Hégua e fodão do pedaço

Participaram da criação da Bhanda da Bhaixa da Hégua, entre outros, o próprio Vavá das Candongas, Renato Freitas, Erasmo Amazonas, Pedro Bruno, João Branco, Bianor Mitoso, Demetrius Sales (irmão da vereadora Mirtes Sales), Paraguaçu, Manuelzinho Batera, Carlinhos Melo, Delcídio Castro e Teresa Brandão, dona do histórico Bar São Francisco.


A saudosa colunista social Elaine Ramos foi escolhida para ser madrinha da banda. Nessa foto aí, de 1997, onde ela aparece ao lado de Mário Adolfo, Pauderney Avelino e Hermengarda Junqueira, Elaine havia sido coroada rainha da banda Calçada Alta.

Os paidéguas resolveram acrescentar um “agá” na grafia para perpetuar uma gíria da época para designar os lambanceiros, os caras que eram cheios de “agá”.

A banda também iria ser cheia de “agá”.

Durante a reunião de fundação, ficou acertado que a banda iria desfilar pelas ruas de Educandos no domingo magro de carnaval, exatamente no dia posterior ao embalo da BICA.


No primeiro ano, apareceram apenas 80 foliões, quase todos de ressaca do arrastão da BICA na noite anterior.

O carnaval dos paidéguas foi armado em frente à Casa Ideal e, aparentemente, foi um grande sucesso, apesar de ninguém ter tido coragem de sair em passeata pelas ruas do bairro.


Não bastasse isso, o boneco mamulengo da rainha da banda, uma Hégua humanizada inspirada em Rosane Collor, na época-primeira dama do Brasil, era de tirar qualquer um do sério.

Feita em fibra de vidro (uma novidade, na época!) e quase em tamanho natural, a Hégua reafirmava as vantagens do matriarcado sobre o patriarcado: era a primeira vez, em Manaus, que uma figura feminina comandava uma fuzarca de machões com firma reconhecida em cartório.


Além dos olhos azuis e da dentadura avantajada, a Hégua tinha uma cintura de vespa combinada com uma bunda de tanajura e umas mamonas verdadeiramente assassinas.

Era impossível olhar pra ela, mesmo de relance, e não sentir tesão por aquilo.


Não sei não, mas acho que o cineasta James Cameron deve ter se inspirado na Hégua da Bhaixa para criar a belíssima caçadora Neytiri, do blockbuster Avatar...

Em 1992, cerca de 500 pessoas foram conferir a presepada no segundo ano de desfile da banda, por conta das insistentes e hilariantes notinhas da colunista Elaine Ramos, no jornal Amazonas em Tempo, divulgando o evento.

Pela primeira vez, eles saíram pelas ruas de Educandos sob o comando da gostosíssima Hégua e foram arregimentando para suas fileiras dezenas de blocos tradicionais que se preparavam para desfilar no Sambódromo.

O primeiro bloco a entrar no fuzuê foi o dos Assombrados e até hoje o encontro entre a Bhanda da Bhaixa da Hégua e o Bloco dos Assombrados é considerado o clímax do desfile.

No início, vestidos de lençóis brancos com buracos nos olhos, os Assombrados se transformaram em uma das alas mais animadas do desfile da banda e, com sua presença no desfile, foram arregimentando outros blocos: Vagabundos, Defuntos, As Virgens, As Rãs e por aí afora.


O trajeto da banda, que é obedecido até hoje, começa na rua Amâncio Miranda, onde ficava o Bar Casa Ideal, segue pelo Boulevard Sá Peixoto, Leopoldo Peres, Rua Nova, Inácio Guimarães, Baixa da Égua, Inocêncio Araújo e novamente Amâncio Miranda.

Foi quando Vavá das Candongas teve o chamado “estalo de Vieira”: a banda inspiradora do frege, a BICA, conseguia muito espaço na mídia porque tinha uma marchinha própria ironizando os fatos políticos.

E se a Bhanda da Bhaixa da Hégua começasse a ter suas próprias músicas, com uma abordagem menos política e mais carnavalesca?...

Ele colocou a questão em uma reunião da diretoria e todo mundo concordou que aquela seria a solução ideal.

Vavá das Candongas procurou o advogado Ary de Castro Filho, um dos integrantes do grupo Pro-Álcool e também, como ele, fundador da BICA, e expôs o problema.


Quem conta o desenvolvimento dessa história é o próprio Aryzinho Castro, vulgo “cachorro”, porque sempre foi fissurado por uma boa “cadela”:

Um dia, em dezembro de 1992, o Vavá das Candonga convidou o grupo Pró-Álcool para tocar no pré-aquecimento da Bhanda Bhaixa da Hégua, porque eles iriam começar a programação de carnaval da banda do próximo ano.

A partir daí, todos os sábados, das 15 até às 18h, nós tocávamos no meio da rua em frente ao Bar Casa Ideal.

O grupo Pro-Álcool era formado por Mário Toledo (vocais), Cid Sete Cordas (vocais e violão), Arnaldo Fimose (violão), Helinho do Parque (vocais e tamborim) e eu, nos vocais e percussão.

De vez em quando, o grupo Dente de Dragão dava uma canja na fuzarca. Ele era formado por Julio Reciños (voz e violão, atual líder da banda Conexão Latina), Manuelzinho Batera (percussão), Cledson Kleklé (surdo), Guto Rodrigues (vocal e violão), Rogelio Casado (harmônica) e Paulo Peruka (tamborim e agogô).


Anibal Beça, Cid Sete Cordas, Kledson, Peruka, Julio Reciños, Valdir e Manuel Batera

O Vavá das Candongas havia nos pedido, se possível, fazer uma música exclusiva para a banda.

Apesar de estar na boemia desde os 14 anos e conhecer todos os bares de Educandos, eu não sabia onde ficava a Casa Ideal, um misto de bar e mercearia.

Aí, para ensinar o caminho, o Vavá das Candongas, de pura sacanagem, falou que o bar ficava em frente a uma praça, na saída do Boulevard Sá Rio Negro.

Atravessando a ponte que ligava o centro da cidade ao bairro de Educandos, a Casa Ideal, na verdade, ficava em uma rua a direita, que praticamente desembocava dentro do rio Negro.

A única praça que existia por ali era a do Amarelinho, lá perto da igreja, a uns 500 m da Casa Ideal.

Como eu não sabia desses detalhes, a primeira música que fiz, “Bhanda da Bhaixa da Hégua”, de 1993, tem um verso que diz “como uma onda para o meio dessa praça”.

E a praça nunca existiu!



Bhanda da Bhaixa da Hégua

Autor: Ary Castro
Intérprete: Amarildo Cerdeira
Vocais: Maria Edilene, Maria Belém e Elem Maria
Teclado, bateria, guitarra e baixo: Dino
Mixagem: Odias Monteiro

Esta é a Bhanda da Bhaixa da Hégua
É a mais nova alegria da cidade
Seus integrantes é a Turma dos Paidéguas
E o seu lema é sempre o viva a paideguagem

Quando ela passa o povo todo se levanta
Para aplaudir, cantar ou achar graça
Pois o encanto do seu canto leva o povo
Como uma onda para o meio dessa praça

Agora vem, vem brincar, vem brincar
A nossa onda não tem tempo pra acabar
Vale palhaço, pierrô ou colombina
Vestindo saia pode brincar de menina

A partir daí todos os anos eu passei a fazer uma música para a banda.


Cid Sete Cordas, Ary, Guto, Arnaldo, Julio, Peruka, Kledson e Mário Toledo

A música “Ano Passado”, de 1994, quem acabou me dando a dica foi a Elaine Ramos que, não me lembro o lugar, deu uma bronca numa pessoa que se desculpava por não ter ido à banda, por causa do medo, alegando que o lugar era perigoso, e ela, a Elaine, falou que ali não existia pecado.

E saiu na letra da música o verso “isso aqui não é pecado, vem pra cá, a nossa banda só tem paidéuga”.



Ano Passado

Ano passado você não entrou na onda
Na onda da Bhaixa da Hégua
Vou te contar, isso aqui não é pecado
Vem pra cá, a nossa banda só tem paidégua

Renato, Renato, Renato
Esse paidégua é o rei da folia
Quando se encanga com a Hégua
Não tem noite não tem dia

Ano passado você não entrou na onda
Na onda da Bhaixa da Hégua
Vou te contar, isso aqui não é pecado
Vem pra cá, a nossa banda só tem paidégua

Renato, Renato, Renato
É o Pro-Álcool na animação
É um tal de sobe e desce a ladeira
É a Hégua e a Bhanda muito louca de paixão
É um tal de sobe e desce a ladeira
É a Hégua e a Bhanda muito louca de paixão

Em 1995, a música “Deixa de Fita” foi feita, inicialmente, para uma banda que acabou não saindo (a Banda do Amarelinho), aí eu aproveitei e mudei uma parte da letra.

Na verdade, a música permite que você troque o refrão e utilize o nome de outras bandas, sem que essa alteração mexa na estrutura da letra.



Deixa de Fita

Deixa de fita menina
E vamos embora meu bem
Que a Bhanda da Bhaixa da Hégua
Não espera por ninguém

Passa no teu corpo purpurina
Veste aquela tua minissaia
No rosto um sorriso bem bonito
E pra alegrar a rapaziada
Abre a garrafa de uísque
Do saco tira o gelo pro isopor
Apanha uma cerveja bem gelada
E segue em frente a todo vapor

Deixa que aqui no fundo eu fico
Vendo esse circo incendiar
Na volta traz o gelo pro uísque
Que na Bhaixa da Hégua eu vou me acabar

Em 1996, com a música “Menina”, eu deixei de incluir na letra o nome da Banda da Bhaixa da Hégua. Primeiro, por já existirem mais de dez músicas tendo a banda como tema, e segundo, para se ter uma música de carnaval que pudesse ser tocada em todas as bandas de Manaus, evitando-se aquela besteira de não se tocar a música das outras bandas, mas tocando durante a festa toda as músicas dos trios elétricos baianos.

E assim nasceu “Menina”, que fala daquela garota que brinca sozinha nas bandas na maior alegria, que curte por curtir e que depois fica com o corpo molhado, marcado de beijos e abraços, dos amassos que ela deixa dar porque é totalmente descompromissada.



Menina

Cadê, cadê a menina linda e faceira
Que logo perde a cabeça
Ao ouvir a banda tocar

E sai remexendo as cadeiras
Dando a maior bandeira
Deixando o povo falar

Do seu corpo suado
Marcado de beijos e abraços
Dos amassos que lhe deixam dar

Mas deixa, deixa, deixa
Deixa a menina brincar
Para com a regulagem
Ciúme aqui é bobagem
E tristeza pras bandas de lá

Em 1997, foi feita a “Tira e Mete ou Mete e Tira” que retrata uma garota que ficava vestindo e tirando a camisa da banda e o namorado reclamava, meio injuriado, e ela só de pirraça ficava naquela onda o tempo todo.



Tira e Mete

Eu sei que isso é bom mas cansa
Eu já te falei menina
Não dá pra segurar a noite inteira
A barra dessa tua mania
De ficar nesse tira e mete
Nesse mete e tira
Nesse tira e mete
Nesse mete e tira

Eu sei que é o teu jeito de brincar
Não quero acabar tua alegria
Mas o povo já está falando
Lá na rua todos estão comentando
Vai rasgar a frente e atrás
Atrás e na frente
A frente e atrás
Atrás e na frente
A tua camisa


Ary de Castro Filho, Paulo Peruka e Assis Mourão, um dos fundadores do GRES Sem Compromisso

A música de 1998, “Gandaia”, foi a realização de um grande sonho meu, que era fazer uma música que falasse de todas as bandas de Manaus. Uma música que unisse todas as bandas. E acabou saindo, para a minha alegria.

Na música eu consegui colocar o nome de 18 bandas de Manaus.

Aliás, tem o Bar do Galo, que fica no Boulevard Amazonas, que embora não tenha uma banda tradicional, realiza um carnaval muito bonito, muito familiar, nas suas dependências, exclusivamente com músicas antigas, como toda a turma que o freqüenta.



Gandaia

Nesse carnaval quero é gandaia
Não estou nem ai pra solidão
Só volto pra casa amarrado
Ou então dentro de um camburão

E quando você perceber no meu rosto
O mais leve sinal de tristeza
Me agarra, me abraça, me beija
Que a folia volta a reinar

E eu então assim muito louco
Distribuindo alegria vou brincar
Na Bhanda da Bhaixa da Hégua, na BICA,
Calçada Alta, Mandy’s e Boulevard

E ainda tem Difusora, Lobão,
Piranhas e Cuiú-Cuiú,
Jacaré, o Miltão, Bar do Galo,
Choppmania e o Coração Blue

Porque a segunda é da Caixa
Com todo mundo na praça a brincar
E eu no peito e na raça
Na Boca ainda vou passar

E seguindo sempre em frente
Na do Amarelhinho, eu vou me recuperar
Pra quando chegar terça-feira
É lá na Cinco Estrelas
Que eu vou me acabar


Eu e o poeta e artista plástico João Rodrigues durante uma noitada no Bar do Armando

A música o “Cabelo do Simão”, surgiu em razão da turma da BICA, que ficava me cobrando por eu também ser biqueiro e ainda não ter feito uma música para a banda.

Como o Simão apareceu com o cabelo pintado de vermelho e provocou o maior rebuceteio no Bar do Armando, surgiu um papo que o tema seria o cabelo do Simão.

Eu aproveitei e fiz a música, que, por sinal, faz o maior sucesso com a curuminzada.

Na letra, eu falo de um iscritô conhecido na cidade por falar mal de todo mundo, dotado de uma língua ferina e que era metido a criar polêmicas pelos jornais.

Frequentador esporádico do Bar do Armando, ele começou a fazer piadinhas sobre o cabelo do poeta.

Como o Simão já havia passado o rodo em uma das namoradas do babaca, eu deduzi que ele falava aquelas merdas todas de puro despeito.

A letra foi feita em cima disso.



Cabelo do Simão

O cabelo do Simão é cor de abóbora?
Não?! Verde limão, lilás, é furta-cor!
Também só na cabeça de poeta
É que namora jabuti com beija-flor

Deixa o cabelo do Simão
Não torra o saco
E procura o que fazer
Segura o rebolado da patroa
Senão na testa o chifre vai aparecer

O cabelo do Simão é cor de abóbora?
Não?! Verde limão, lilás, é furta-cor!
Também só na cabeça de poeta
É que avoa jabuti com beija-flor

Deixa o cabelo do Simão
Que aqui na BICA
O buraco é mais embaixo
Se tua língua é uma metralhadora
Aqui pra nós a tua fama é de viado!

A música Calçada Alta, eu fiz em homenagem a família do Sr. Antônio, que me conhece desde menino, possui um dos melhores restaurante de comida portuguesa de Manaus e também tinha a sua própria banda, que saiu durante dois anos e depois parou por causa das muitas brigas entre galerosos.

Como tema, eu aproveitei o cardápio do restaurante e fiz a letra em cima das comidas e bebidas que ali são vendidas.



Calçada Alta

Lá no Calçada a mesa é sempre farta
No seu cardápio você vai encontrar
Uma punheta, uns bolinhos
A patanisca e uma cerveja bem gelada
Pra molhar a garganta
De uma gente muito fina
Que não tem pressa
Pois a vida quer gozar

Agora traga, seu Antônio,
Traga o vinho
E uma bacalhoada
De fazer mudo falar
Só não esqueça de trazer
Antes da conta
Uma baba de moça
Pra minha boca adoçar


Em 1998, nós lançamos o CD “Banda da Bhaixa da Hégua”, que foi o primeiro disco de carnaval de rua gravado em Manaus. Até então, só as escolas de samba do grupo especial gravavam seus sambas enredos.

A BICA, por exemplo, só começou a gravar suas próprias músicas a partir de 2001, por iniciativa de Simão Pessoa e Mário Adolfo.

O nosso disco levou três anos para ser concluído. As primeiras músicas gravadas foram “Deixa de Fita” e “Menina”, em 95.

Em 96, nós gravamos “Bhanda da Bhaixa da Hégua”, “Ano Passado”, “Cabelo do Simão”, “Lista do Armando”, “Calçada Alta” e “Tira e Mete”.

Em 97, gravamos “Gandaia” e “Pout Pourri”.

Uma curiosidade: o “Pout Pourri da Bhaixa da Égua” possui música do Paraguaçu e do Renato Freitas, embora apareça nos créditos só o nome do Renato.

Isso se deu porque o Paraguaçu perdeu todos os documentos e a gravadora exigia identidade e CPF...



Pout Pourri da Bhaixa da Hégua

Autores: Renato Freitas e Paraguaçu
Intérprete: Amarildo Cerdeira
Vocais: Maria Edilene, Maria Belém e Elem Maria
Teclado, bateria, guitarra e baixo: Dino
Mixagem: Odias Monteiro

Pai d’égua, pai d’égua
Essa é a Bhanda da Bhaixa da Hégua
Tuturubim tê tê
Tic tac tambarola
Segure a sua hégua se não ela vai embora

A turma da Casa Ideal
Disse que a hégua é um calço legal
Legal
Oh, que hégua bacana
Oh, que hégua legal
Esse ano se veste de madame
Pra brincar o nosso carnaval

Quero pular, eu quero,
Quero brincar, eu quero,
Na Bhanda da Bhaixa da Hégua
Quero brincar, eu quero,
Quero pular, eu quero,
Com os meus amigos paidéguas

Salve o Educandos, salve a Casa Ideal
Essa noite eu me agarro com minha hégua
Só vou parar no fim do carnaval


Em 1995, por insistência do Aryzinho e da Elaine Ramos, eu fui visitar o pardieiro do Renato Freitas pela primeira vez, durante uma apresentação do grupo Pro-Álcool.

A Casa Ideal tinha um ambiente acolhedor, pessoas da melhor qualidade, papos interessantes, cervejas supergeladas, iscas variadas, mulheres de se casar no mesmo dia, enfim, um verdadeiro paraíso.

Foi quando resolvi tirar água da bexiga. O banheiro ficava no final do bar.

Não sei que merda me deu, mas, depois de urinar, resolvi meter a cara na pequena janela do banheiro, que funcionava como respiradouro do ambiente, para sondar a paisagem.

Quase morri de vertigem. Eu estava em cima de um vão livre de quase 50 m de altura.

Metade do bar estava incrustada no barranco, mas a outra metade estava sobre o rio Negro em pessoa.

E ele continuava lambendo furiosamente aquelas pernamancas que teimavam em sustentar o resto da casa.

Fiquei tão nervoso, que não quis mais beber cerveja. Mudei na mesma hora para uísque, uma velha estratégia utilizada pelos biriteiros para não perder tempo com banheiro.

Eu ia ficar completamente doido (bebida fermentada com bebida destilada, aprendam de uma vez por todas, sempre acaba em merda), mas não correria o risco de desabar junto com o banheiro dentro do rio Negro.

Caí na besteira de contar meus temores para a Elaine Ramos.

Em cinco minutos, eu já era o “vagabundo mais covarde, medroso e fuleiro que havia entrado na Casa Ideal”, segundo o dono do boteco, meu considerado Renato Freitas.

Pra terminar de me sacanear, os diretores da banda entravam no banheiro em turmas de cinco, seis, sete pessoas e faziam um sapateado infernal para mostrar a segurança do sanitário.

Eu achava aquilo extremamente divertido, mas nunca mais me aproximei daquela merda.


Em 2006, eu escrevia a coluna “Boca do Inferno”, no Correio Amazonense, quando recebi este release do Ary Castro:

Avisamos aos amigos paidéguas que a Bhanda Bhaixa da Hégua passou a se reunir no Bar do Bianor, em razão do tombamento da antiga sede da banda que era o Bar Casa Ideal (não foi terremoto e nem foi tombada pelo Governo, ela tombou, caiu, ruiu, foi prochon...).

A partir das 17 horas, a banda sai em carreata cumprindo o tradicional trajeto que abrange as ruas Manoel Urbano, Boulevard Sá Rio Negro, Rua Nova, Inácio Guimarães, etc, quando então retorna para a sua concentração, lá por volta das 20 horas.

Durante o percurso, a Bhanda Bhaixa da Hégua será recebida na Rua Nova pelo Bloco dos Assombrados, que com os seus brincantes engrossarão a massa que participa da carreata.

A animação da banda será feita pela Banda DX, Banda Laser, Embaixadores e Dente de Dragão.

Após o retorno da Rainha da Festa, a maravilhosa Hégua, uma boneca que possui os olhos e a boca da mulher do ex-presidente Fernando Collor de Melo, a fuzarca vai pegar fogo.

Queremos reafirmar que esses atributos que a Hégua possui não tem nenhum condão de desmerecer a ex-primeira-dama do Brasil, muito pelo contrário.

Os seus maravilhosos atributos estão sendo exaltados por merecimento, em uma homenagem do bairro de Educandos pra aquela belíssima senhora.

As camisas estão sendo vendidas ao preço de R$ 10, na concentração da banda.

Embora o desfile da banda se inicie às 12h, o seu término quem determina são os seus componentes e pelo andar da carruagem, este ano, deve terminar lá pelas 6h da manhã, quando os brincantes que sobreviverem à maratona etílica estarão tomando café na Feira da Panair.

Abraço do irmão Arycastro.


Em dezembro de 2010, o radialista Alcides Castro assumiu a presidência da banda e arregimentou uma turma da pesada para ajudá-lo a colocar o bloco na rua.

A nova turma dos paidéguas é formada por Socorro Lopes (madrinha da banda), Evergilton Mitoso Jr. (vice-presidente), João Branco (1º secretário), Marquinhos Fernandes (1º tesoureiro), Rubens Freitas (secretário-geral), Rodrigo Ferandes (2º tesoureiro), Tereza Brandão (2ª secretária), Beto Monteiro (diretor de Comunicação), Eduardo Jorge (Relações Públicas), Gerson Aranha (diretor de Divulgação), Silmara Barbosa (diretora Social), Maria Ana Monteiro (diretora de Patrimônio), Luce Elaine Andrade (diretora Jurídica), Carlota (diretora de Carnaval), Sandro Costa (diretor Cultural), Pedro Bruno (diretor de Apoio) e Guiomar Libório (diretora de Apoio).


Os abadás já estão à venda ao preço promocional de R$ 15, na Confraria do Marquinhos.

No próximo dia 13, domingo, acontece o primeiro “esquenta” da banda no curral do Bumbá Garanhão.

Os músicos já entraram em estúdio para gravação da música deste ano, que será apresentada oficialmente durante o primeiro “esquenta”. Evoé, Momo!


Festa de posse da nova diretoria nos redutos da Hégua


Apesar dos 20 anos, a Hégua continua tendo um corpinho de 15


Erasmo Amazonas, um dos fundadores da banda e maior incentivador do carnaval popular em Educandos


Tereza Nogueira, uma foliã de raiz da melhor qualidade


O empresário Led Santos, primo do compositor Davi Almeida


Renato sempre firme no pedaço e comandando a massa


Erasmo Amazonas e os foliões da nova geração


O gente fina Paulo Tavares, ex-presidente da banda






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