Na quinta-feira, dia 17 de maio de 2001, o jornal Diário do Amazonas publicava a seguinte matéria:
A escrachada BICA (Banda Independente Confraria do Armando) volta à ativa hoje, a partir das 18h, na sua sede, o famoso Bar do Armando, de propriedade de Armando Soares.
E para brindar os biqueiros, como são conhecidos os freqüentadores do lugar, a diretoria da BICA decidiu reativar suas atividades lítero-musicais com uma homenagem especial ao músico, poeta e escritor Áureo Nonato, autor do romance Os Bucheiros e de Canção de Manaus, composição considerada como um dos hinos oficiais da capital do Amazonas.
Na ocasião, a banda Chorando na BICA estará fazendo a sua estréia no cenário boêmio, trazendo figuras da velha-guarda da BICA, como os músicos Altair Nunes, Mestre Betão, Toninho Sax Animal, Onércio, Agnaldo, Roseane, Manuel Batera, Cláudio e Dudu Polícia.
Apesar de estreante, a banda avisa, com o humor que é peculiar aos integrantes da BICA, que “traça o que vier pela frente”, tocando de tudo um pouco,: bolero, samba, pagode, jazz, blues e até o infame funk carioca.
Dentro da programação, cuja atração principal é a cerveja gelada servida a cada cinco minutos, acompanhada do inconfundível sanduíche de pernil que é a marca registrada do Bar do Armando, a diretoria da BICA avisa que o palco estará aberto à participação de músicos, atores e poetas, habituais freqüentadores do bar, caso queiram dar sua contribuição espontânea com performances.
O motivo da homenagem dos biqueiros a Áureo Nonato são os 80 anos de vida completados pelo escritor no dia 1.ºde abril, que por coincidência é também o Dia da Mentira. “Será que eu sou um mentiroso?”, brincou Áureo Nonato, ao informar a data de seu nascimento.
Sem parar de escrever e cantar, que é seu hobby favorito, Áureo Nonato é crítico e costuma ironizar fatos políticos e a sociedade local em seus romances, crônicas e poesias.
Ele completou o primário no grupo escolar Olavo Bilac e fez até o primeiro ano do ginásio no colégio Dom Bosco. O escritor se orgulha de sua formação acadêmica. “Aprendi rudimentos de francês e latim e sempre fui tido como uma criança inteligente”.
Áureo garantiu que é o único amazonense até hoje a ganhar um prêmio da Academia Brasileira de Letras. Em 1982, ele conquistou o prêmio Osvaldo Orico com o livro Os Bucheiros, que é um memorial de infância.
A obra foi aumentada e ilustrada para uma 3º edição, publicada pela Valer Editora.
O livro, além das histórias dos amigos de Áureo, descreve com precisão a Manaus de 1921 a 1938.
Além de Os Bucheiros, Áureos Nonato escreveu Pitombas e Biribás, livro formado por uma coletânea de crônicas e poemas publicados nos jornais da cidade, e Porto das Catraias, publicado pela Imprensa Oficial e que conta as lembranças da juventude do autor e sua viagem para o Rio de Janeiro como voluntário do Exército, em 1938, no navio Prudente de Morais.
Atualmente, ele está escrevendo um livro que fala sobre a atual fase de sua vida e deverá chamar-se Batelão de Ilusões ou A Solidão Não Me Dói. “O título definitivo ainda não está escolhido”, revelou o autor. “Este livro vai mexer com muita gente. Conto coisas hilárias e ridículas que aconteceram ao meu redor”, comentou.
Na quinta-feira, dia 31 de maio de 2001, o jornal Amazonas em Tempo publicou a seguinte matéria:
Hoje, às 20h, o Bar do Armando vai ferver. A pretexto de homenagear a rainha da BICA, Petronila Machado, os diretores da mais badaladas agremiação etílico-carnavalesca de Manaus vão comandar uma noitada sui generis, misturando funk, pagode e música brega.
Acredite se quiser, mas a noite de hoje no Bar do Armando vai ter funk e rap de verdade, com o grupo Cabanagem, filiado ao Movimento Hip Hop de Manaus.
Vai ter samba de raízes, com os grupos Chorando na BICA e Ases do Pagode.
E ainda vai rolar aqueles bolerões xaroposos dos anos 50, interpretados pelo inimitável Demóstenes “Dedé” Carminé.
O escritor Simão Pessoa aproveita a noitada para autografar seu último livro, Funk: a música que bate, uma pequena radiografia da música negra americana nos últimos 50 anos.
“É bom deixar claro que o verdadeiro funk não tem nada a ver com o som, as letras e as coreografias grotescas das cachorras, popozudas, tchutchucas, tigrões e similares”, apressa-se a esclarecer o escritor.
“Aquele rebolados e tremeliques convulsivos ao som de coisa como só um tapinha não dói ou vou passar cerol na mão é a diluição da diluição do funk e uma falta de respeito pelo James Brown, George Clinton e Public Enemy”, dispara Simão.
Segundo o poeta Marco Gomes, um dos organizadores da fuzarca, os biqueiros não têm nada contra o fato de grupos de garotos cariocas pobres ganharem dinheiro e fama às custas de sua vocação musical.
O problema, diz ele, é a massificação que a mídia impõe, martelando diariamente hits do Bonde do Tigrão, de MC Naldinho, MC Bela, MC Beth e outros tantos que acabam sendo replicados na Zona Franca.
“É sempre assim, quando a mídia do Sul do país determina a onda que agrada ao público consumidor – de discos, shows, TV e rádio –, os programadores musicais de Manaus embarcam na canoa e esgotam a paciência de Deus e do mundo”, detona o poeta.
“Temos bastante experiência nisso, já fomos atacados por menudos, lambadas, dupla sertanejas, grupos de axé com louras e morenas que dançavam na boquinha da garrafa e até por pagodeiros de voz chorosa e muita água oxigenada no cabelo. Só que aqui na BICA, o buraco é mais embaixo”, avisa.
O apresentador oficial das quintas musicais, Manuel Batera, faz coro com Marco Gomes.
“A BICA é a única banda carnavalesca que não segue a moda. A gente é que faz a moda, porque valoriza as raízes. Nos nossos desfiles só toca marchinha e samba-enredo”, explica.
“Apesar do ecletismo das nossas promoções musicais, só colocamos para cantar quem se identifica com aquilo que vai cantar. Vocês não vão ver aqui um cantor de toadas cantando música brega ou um roqueiro querendo cantar MPB”, emenda.
Na quinta-feira, 21 de junho de 2001, o jornal Diário do Amazonas publicava a seguinte matéria:
A Banda Independente Confraria do Armando (BICA) apresenta nesta quinta-feira a cantora Francis Ray.
Segundo a coordenação da BICA, Francis Ray já tem 22 anos de carreira e, em agosto, prepara-se para estrear nacionalmente nos palcos do Domingão do Faustão, Gugu Liberato, Raul Gil e Fábio Jr.
A programação no Bar do Armando começa a partir das 02h com o irreverente grupo Chorando na BICA.
Francis cantará músicas de seu CD “Indiferença”, uma gravação independente que traz no repertório sucessos de autoria da própria Ray e da cantora Roberta Miranda.
Cantora do estilo brega, Francis Ray ficou conhecida por ter ousado bancar os custos do próprio CD.
Depois disso, a gravadora Atração Fonográfica, de São Paulo, a contratou e está responsável por divulgar para todo o país a atração brega amazonense.
Na quinta-feira, 26 de julho de 2001, o jornal Amazonas em Tempo publicava a seguinte matéria:
Antes considerado artigo kitsch, o brega aos poucos vai saindo da periferia, tomando conta das casas noturnas de Belém e atingindo um público “mais cabeça”.
O mesmo fenômeno está ocorrendo em Manaus.
Depois do estouro de Roberto Vilar e Wanderley Andrade, o brega paraense nunca mais foi o mesmo.
Mudaram as letras que superaram o romantismo escrachado e agora apelam para o bom humor, mudou a melodia – o brega calypso ou pop-brega, com uma batida que lembra muito o rock dos anos 50, é a sensação do momento –, e mudou também o público.
Considerado um dos responsáveis por esta nova roupagem do brega, o cantor paraense Sandro Aragão se apresenta hoje, a partir das 21 horas, no Bar do Armando em um show acústico.
Ele vai aproveitar a ocasião para lanças seu 2.ºCD, “Na Onda do Pop-Brega”.
O disco traz como música de trabalho a canção “Infidelidade”, que já é uma das mais tocadas na capital do Pará.
Além das músicas de seus dois primeiros discos, Sandro também vai fazer alguns covers de Eros Ramazzotti, Luchio Dalla, Carlos Santana e Pink Floyd.
A cantora Lucinha Cabral e o grpo Chorando na BICA fazem a abertura do show.
O Bar do Armando fica na rua Dez de Julho, s/n, no entorno da praça São Sebastião. Não será cobrado couvert artístico.
Investindo num visual extravagante – roupas colantes, paletós de tecidos brilhantes, coletes de veludo cotelê, botas com salto quinze e um rebolado cheio de malícia –, os cantores de brega apostam no marketing para conquistar o público.
Daí que nos últimos tempos surgiram o “robô do brega” (Johnny Souza), o “anjo do brega” (Júnior Neves), o “animal do brega” (Kannydia), o “tigre do brega” (Robson Prado), o “índio solitário do brega” (Carlos da Luz), a “fera do brega” (Vidal), o “louro do brega” (Adilson Ribeiro) e o “anormal do brega” (Rubens Mota), que, nos shows, costuma sair de dentro de um caixão e cantar com um par de chifres de néon na cabeça.
O cantor Sandro Aragão já está sendo considerado o “alfenim do brega”, porque tem uma voz tão meiga e doce que às vezes chega a soar enjoativa. Isso pode ser confirmado na interpretação personalista que ele fez para o hit “Leviana”, de Diogo.
A música é quase um clássico da dor-de-cotovelo: “(...) Você ficava sussurrando junto ao meu ouvido/ Mentiras misturadas com o seu gemido/ E eu acreditava na sua palavra.../ Leviana”.
A pegada da guitarra surf-music é a senha para que, de rosto colado e corpos juntinhos, os casais rodopiem pelo salão sem dar bola para ninguém.
“Gosto do pop-brega porque é um ritmo autenticamente paraense e que faz parte da idiossincrasia do caboclo da região”, diz o cantor.
A opinião de Sérgio Aragão é compartilhada por alguns freqüentadores assíduos do Bar do Armando.
“Acho que hoje praticamente não há mais preconceito em relação ao brega. Quem vem ao Bar do Armando nas quintas-feiras, por exemplo, sabe que vai ouvir brega a noite inteira e é exatamente isso que o povo quer”, diz Osvaldo Peduto, técnico de estúdio que começou como DJ da boate Everlast, no bairro da Raiz. “Antes eu só curtia house de Chicago, mas de tanto escutar brega acabei gostando. Acho que entrou no sangue”.
Para o juiz do Trabalho Jorge Álvaro, a questão é mais simples.
“Acho que o brega nunca saiu de moda”, diz ele. “A diferença era que antes esses cantores não tinham apoio da mídia e hoje até pessoas metidas a intelectuais, que não estavam acostumadas com o ritmo, vêm assistir seus shows. Neste aspecto, o Bar do Armando está contribuindo decisivamente para a democratização musical da nossa cidade”.
Na quinta-feira, 23 de agosto de 2001, o jornal A Crítica publicou a seguinte matéria:
Como parte do projeto “Chorando na BICA”, acontece hoje, no Bar do Armando, às 21h, o show da cantora Lucinha Cabral & Banda, formada pelos músicos Marinho, na percussão, Márcio, na guitarra, Marcelo Picanço, no contra-baixo, e a bela voz de Lucinha, também no violão.
Se a cantora vivia com o pé na estrada, agora, com a chegada do filho Pedro, ela entra de corpo inteiro na luta e promete excelentes performances durante a noite.
No show, ainda será possível comprar e ter o autógrafos de Lucinha no último CD que gravou em conjunto com o músico Cleber Cruz.
No próximo sábado, 25, a banda também se apresenta na “Feijoada da Lucinha”, no Restaurante Bangalô, com a participação especial do músico Pepê Fonan. O telefone para reserva de mesas para a feijoada é 611-7997.
No dia 31 de setembro de 2001, o jornal Diário do Amazonas publicou a seguinte matéria:
Os boêmios de plantão estão em estado de graça. É que a partir das 21h de hoje, o Bar do Armando traz de volta o projeto “Chorando na BICA”.
E para comemorar o reinício dos shows românticos, o bar apresenta Jorginho Bártholo, interpretando o que há de melhor na MPB e nos boleros, em castelhano, como ele faz questão de frisar.
A direção do Bar do Armando informa que não haverá cobrança de ingressos, couvert e nem os famosos 10% do garçom. É só chegar, sentar, pedir uma cervejinha e curtir o vozeirão do cantor.
Jorginho Bártholo começou a cantar em meados de 1980, aos 16 anos, percorrendo os points mais tradicionais da época, como Varanda’s Bar, Xalaco, Consciente, Tropical e muitos outros.
Fazendo incursões em São Paulo, conquistou uma legião de fãs ao interpretar personalidades como Cauby Peixoto e Emílio Santiago. Por lá, cantou na badalada casa de shows da avenida Paulista, “Plataforma 1”.
Atualmente, Jorginho Bártholo aguarda a oportunidade de entrar na lista dos “Valores da Terra”, da Fundação Vila-Lobos.
De acordo com ele, enquanto sua vez não chega, já está em estúdio preparando repertório para o CD intitulado “Resgate”.
“Será um resgate de clássicos da MPB. Não são músicas próprias, apenas interpretações. O público pode aguardar, que não se decepcionará”, garante o cantor.
Precoce no mundo da música, Jorginho Bhártolo começou a cantar aos 9 anos. Ele conta que era cantor de rádio em Guajará-Mirim, sua terra natal.
“Era cantor de rádio. Ne época não tinha televisão. Profissionalmente, comecei a cantar aos 16 anos, já em Manaus”, disse Bártholo, que se considera amazonense de coração.
No repertório que o cantor vai interpretar hoje, estão canções como “Começaria tudo outra vez”, de Gonzaguinha, “Como vai você”, de Antônio Marcos e “Grito de Alerta”, de Maria Betânia.
“Será uma apresentação simples”, declara o cantor, que também emociona quando canta músicas de Alcione, Simone e Gal Costa, só para citar algumas celebridades do seu repertório nacional.
Para a apresentação de hoje no “Chorando na BICA”, Jorginho Bártholo será acompanhado de Tião (guitarra), Junior Paraíba (sax) e Manuel Batera (bateria).
No dia 25 de outubro de 2001, o jornal A Crítica publicou a seguinte matéria:
Já se transformou em rotina: todas as quintas-feiras tem música ao vivo no projeto “Chorando na BICA”, do Bar do Armando (praça São Sebastião, ao lado da igreja).
A novidade de hoje é que vai ser realizada a primeira edição especial do evento com um tributo a João Nogueira às 21h.
A partir de hoje, toda última quinta-feira do mês será marcada por uma edição especial do projeto.
Para interpretar as músicas de João Nogueira foi escolhido o cantor Américo Madrugada, que será acompanhado por Mark Clark (cavaquinho), Edu do Banjo (banjo envenenado), Altair Nunes (violão), Beto Beiçola (violão-solo) e Manuel Batera (percussão).
O homenageado, para quem não sabe, é um dos maiores compositores da MPB.
Sambista por excelência, foi revelado ao grande público por intermédio de Elizeth Cardoso, em 1970. Suas composições foram gravadas por nomes como Elis Regina, Clara Nunes, Alcione, Beth Carvalho e Emílio Santiago.
Apaixonado por samba, João Nogueira era compositor da Portela e foi fundador da Tradição, dissidência da Portela. Deixou 18 discos gravados.
No final de novembro, a edição especial do “Chorando na BICA” vai realizar um tributo a Domingos Lima. Os interessados em participar podem entrar em contato com Marco Gomes, pelos telefones 232 1195 ou com Afonso Toscano, no telefone 9906 7830.
Na semana de 14 a 20 de outubro de 2001, o anarquista semanário Maskate publicou a seguinte matéria:
Em reunião secreta realizada no último dia 9, na sala da presidência da Assembléia Legislativa do Estado (ALE), o deputado Lupércio Ramos, atual presidente da ALE, anunciou aos deputados presentes que se não conseguisse provar sua inocência em 72 horas, no caso do aborto forçado da menor RMS, renunciaria ao mandato, sem a necessidade da abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar.
Lupércio foi acusado de engravidar RMS e forçá-la, por intermédio de dois assessores, a fazer um aborto numa clínica localizada no bairro da Alvorada, próxima da Delegacia do Menor.
A clínica pertence ao conhecido Dr. Duval.
Durante a reunião com todos os deputados da Assembléia, Lupércio implorou que ninguém tocasse no assunto durante as sessões plenárias até que conseguisse apresentar as provas de sua inocência. A situação do parlamentar está cada vez mais complicada.
A Policia Civil está procurando pelos dois assessores do deputado envolvidos na trama (Compadre Batista e Renata Maquiné), mas eles encontram-se em lugar incerto e não sabido.
O deputado tem evitado a imprensa e o único álibi que apresentou até agora (uma carta escrita por RMS, pedindo desculpas do político e dizendo estar grávida de um namorado chamado Junior) já foi detonado pela mãe da menor.
Segundo Maria da Glória, sua filha foi obrigada por Renata Maquiné a redigir a carta, sendo que o teor da mesma foi ditado pela própria assessora do deputado.
No início da semana, RMS foi submetida a uma curetagem na maternidade Balbina Mestrinho, para retirada da placenta e de pedaços do feto que continuavam dentro do seu organismo.
Os médicos também conseguiram debelar o quadro infeccioso que abatia a menor desde que a mesma foi submetida a um aborto químico forçado no dia 2 de outubro, terça-feira.
Segundo RMS, ela foi sedada na clínica na terça-feira pela amanhã e quando recobrou os sentidos, à noite, estava muito tonta e sangrava em abundância.
Ela foi levada a um sítio, no km 10 da BR-174, que pertence a Renata Maquiné, onde passou dois dias, e só voltou para casa na noite de quinta-feira.
No sábado, a reportagem de A Crítica esteve na casa da menor, apurando o fato, que foi publicado na edição de domingo, dia 7.
Na quarta-feira, 10, dona Maria da Glória esteve no Ministério Publico, prestando depoimento ao promotor de Justiça Walber Nascimento, do 1º Tribunal do Júri da Capital.
O promotor requisitou a instauração de inquérito policial para apurar a responsabilidade criminal do deputado Lupércio Ramos pela prática do crime previsto no art. 125 do CPB, tendo como vítima a adolescente RMS.
O promotor também vai solicitar que seja feito um exame de DNA, comparando o material genético do feto e o material genético do deputado.
A dona de casa Maria da Glória e a adolescente RMS estão convictas de que se o exame não for manipulado, será comprovado que Lupércio matou o próprio filho.
Como o aborto foi feito sem o consentimento de RMS e a gestante sofreu lesão corporal de natureza grave (a perda da virgindade, entre outras), se forem condenados pela Justiça o deputado Lupércio Ramos, o chefe de Comunicação da ALE, Compadre Batista, e a repórter Renata Maquiné, poderão pegar de 4 a 13 anos de prisão.
O caso ainda está longe de terminar, mas a decisão final vai ficar com a Justiça. O Ministério Público e a OAB estão acompanhando o processo.
A adolescente conheceu Lupércio Ramos depois que enviou uma cartinha para o programa televisivo do deputado, que costuma celebrar aniversário de debutantes.
Ela foi uma das sorteadas e teve direito a uma festa de 15 anos, bancada pela deputado, no barraco onde mora, no beco Maués, no “bodozal” da Cachoeirinha.
Lupércio ficou encantado pela inocência pura e besta da garota, passando a assedia-la diariamente, com pequenos presentes e dinheiro, entregues à garota pela repórter Renata Maquiné.
Não custou muito para Renata convencer a menina a se encontrar com o deputado num “abatedouro” clandestino, localizado no Amazonas Flat.
No inicio, segundo a RMS, o deputado só dava uns “amassos”. Depois, começou a exigir que a menina tirasse a roupa, enquanto se masturbava a distância.
Nos últimos encontros, com os dois “pelados”, ele começou a “encoxar”, a adolescente, sem penetração, e a esporrar sobre ela.
Foi numa dessas “brincadeiras” que a adolescente RMS acabou engravidando.
O deputado acusou o governador Amazonino Mendes de estar por trás da armação, argumentando que aquilo era uma retaliação por ter deixado o PFL do governador e se filiado ao PL do prefeito Alfredo Nascimento, tentando dar um caráter político às acusações de RMS.
Quase um mês depois do aborto da adolescente vir à tona, o juiz da Infância e Adolescência, Celso Gióia, que entrou no caso de enxerido, explicou que durante a coleta dos restos de placenta feita na Balbina Mestrinho, alguém, inadvertidamente, havia colocado clorofórmio para conservar o material e acabou por inutilizar o mesmo, ficando definitivamente impossibilitado o exame de DNA.
Depois de uma série de desmentidos das vítimas, que tiveram até de se mudar de Manaus para escapar das ameaças de pessoas ligadas ao deputado Lupércio Ramos, o processo foi encerrado por falta de provas.
A história foi sopa no mel.
Como a BICA estava completando 15 anos em 2002, o tema escolhido foi a “Festa dos Meus Quinze Ânus”, numa justa homenagem às debutantes do Lupércio Ramos, que no mesmo ano acabou se elegendo deputado federal. Arre égua!
Em matéria publicada na revista Cidades do Brasil, de abril de 2001, o então prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento afirmava que daria uma solução definitiva ao problema do transporte coletivo que atanazava a vida dos manauenses:
Até o final deste ano, Manaus, capital do Amazonas, terá um sistema de transporte de Primeiro Mundo. A prefeitura irá implantar na cidade um dos mais modernos sistemas de transporte urbano de passageiros, perfeitamente adequado às suas condições típicas de metrópole tropical.
O projeto da prefeitura inclui a construção de corredores exclusivos de ônibus que vão cortar a cidade de ponta a ponta, reduzindo pela metade o tempo de deslocamento entre os bairros e o Centro, além da aquisição de ônibus articulados e biarticulados com ar-condicionado.
“Enfrentamos temperaturas altas durante todo o ano. Por isso, o Expresso vem para trazer mais conforto aos passageiros e agilizar o tráfego”, diz o prefeito Alfredo Nascimento.
Orçado em R$ 40 milhões, o Expresso de Manaus foi considerado um referencial de solução viária mais atualizada para as grandes metrópoles. Por isso, começa a receber divulgação internacional a partir desta semana.
A informação partiu da assessoria de comunicação da Volvo, empresa sueca de veículos de massa, cuja sede no Brasil fica em Curitiba, que detém mais de 80% do mercado de articulados da América do Sul e é a única marca a oferecer chassis de ônibus com motores entre os eixos, configuração mais apropriada para esse veículo.
As características dos novos ônibus articulados, com câmbio automático, ar-condicionado e suspensão a ar, são fundamentais para uma cidade de clima tropical, que registra temperaturas de 40 graus no verão.
“A administração municipal da capital amazonense escolheu um projeto eficaz que, por este motivo, está sendo adotado como exemplo”, reitera o diretor de ônibus da Volvo, Oswaldo Schmitt.
Segundo o vice-prefeito e o secretário de Obras, Omar Aziz, a adoção do Expresso como solução para os problemas urbanos da cidade, além de se adequar à realidade de hoje, com a constante alta do dólar, possui execução bem mais simples.
“Chegamos a pensar em adotar o metrô de superfície, mas isso se tornou inviável depois da desvalorização do real. Agora com o Expresso, basta adequar nossas avenidas para receber os três corredores viários e três mini-rodoviárias. As estimativas apontam a sua conclusão para o final deste ano”, anuncia Omar Aziz.
O projeto do Expresso, que inclui a construção de três mini-rodoviárias montadas em estrutura espacial, com lanchonetes, lojas, serviços públicos e pistas exclusivas para ônibus biarticulados com portas de ambos ao lados, completam o cenário futurista que trará para Manaus um dos melhores sistemas de transportes coletivos do País, inspirado no modelo de Curitiba, porém mais atualizado e adaptado às necessidades da região.
A duplicação das avenidas por onde circularão os expressos começará nos próximos meses. As duas pistas centrais, nos corredores, serão exclusivas para os ônibus. Nessas pistas, os canteiros centrais serão as “paradas”. Ou seja, o passageiro vai embarca e desembarcar exatamente no mesmo lugar, mudando apenas o lado da plataforma.
Inicialmente serão adquiridos 138 ônibus com portas de ambos os lados, biarticulados – o que significa que carregarão três vezes mais passageiros que um veículo comum –, e também serão climatizados.
“Essas modificações não acontecerão de forma aleatória ou aventureira”, esclarece o prefeito Alfredo Nascimento.
Segundo ele, todas as intervenções de engenharia na cidade são acompanhadas por técnicos do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), que analisam o impacto ambiental e concedem, ou não, a autorização para a obra.
Os corredores Norte e Leste terão, cada um, 40 quilômetros, somando-se os percursos de ida e volta.
Quanto aos terminais, a Prefeitura de Manaus vai primeiro reformar o da Cidade Nova (T3), e depois construir o do Jorge Teixeira (T4) e o de São José (T5).
Todas as informações a respeito dos corredores, veículos e garagens, serão centralizadas na Empresa Municipal de Transportes Urbanos (EMTU).
Ao final de cada dia EMTU terá informações sobre todos os eventos ocorridos nesse período.
Esses dados chegarão à central informatizada da EMTU a partir de equipamentos e programas que serão instalados nos próprios ônibus, nas garagens e nos cinco terminais da cidade.
Os veículos terão acompanhamento integral em todo seu trajeto, as saídas das garagens serão fiscalizadas e o tempo de chegada, permanência e saída dos terminais controlados pelos sensores automatizados.
As informações serão coletadas por um sistema gerenciado instalado na Empresa Municipal de Transporte Urbano e avaliadas, registradas e impressas com o mínimo de interferência humana.
Os veículos dos corredores contarão ainda com um processo de bilhetagem eletrônica.
A comunicação de dados poderá ser feita on-line, através de cinco subsistemas de coletas de dados, centralizados na EMTU, que terão funções, equipamentos e softwares específicos: coletor de dados, garagens, comunicação de dados, central EMTU e de informações.
Praciano, o maior crítico do Sistema Expresso, e Alfredo Nascimento, autor da presepada
Toda essa tecnologia se traduz em redução do tempo de transferência do passageiro de um ponto a outro da cidade, eliminação ou minimização do conflito entre a circulação de pedestres e veículos e fluidez no tráfego.
E tudo isso com o pagamento de uma única tarifa.
Com esse projeto, o prefeito garante que vai mudar a cara de Manaus, tirando de circulação quase mil ônibus do centro da cidade e acabando com os congestionamentos.
O prefeito também explicou que esse projeto é verdadeiramente social porque melhora a qualidade de vida da população, reduz o número de acidentes e torna o trânsito mais humano.
O Expresso é fruto de um convênio entre a Prefeitura de Manaus e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que irá liberar um total de R$ 26 milhões, com a contrapartida municipal de cerca de R$ 14 milhões, além do financiamento privado de aproximadamente R$ 70 milhões.
Segundo a Volvo, os sistemas de transporte urbano baseado em veículos de grande capacidade como os ônibus articulados e biarticulados estão se propagando rapidamente por proporcionarem qualidade de vida à população em vários aspectos: viagens mais rápidas e confortáveis para os usuários, veículos mais fáceis de operar sem o estresse dos motoristas e melhor qualidade do ar, devido aos reduzidos níveis de emissões.
Dois anos depois dessas lambanças do prefeito potiguar, que ficaram apenas no plano nas idéias bem-intencionadas, a implantação inadequada do tal Expresso não só esculhambara de vez com o já caótico trânsito da cidade como também se transformara no pior pesadelo dos manauenses.
Some-se a isso a arborização das ruas de Manaus com palmeiras-imperiais importadas a peso de ouro de Santa Catarina e o cenário estava pronto. A BICA sentou o malho:
Estresso 171
Autores: Little Box, Paulinho de Deus, Elaine Ramos, Metralha, José Fernandes e Hiram Caminha
Médiuns: Mário Adolfo, Simão Pessoa, Edu do Banjo e Mestre Pinheiro
Ai, Alfredo Nascimento
O teu expresso
É pior do que jumento!
É o tal do Estresso 171
Vai da casa do Carvalho
Pra lugar nenhum! (bis)
Se estou dentro não sai,
Se estou na fila não vem
E o trocador nunca tem troco pra ninguém.
Se para o Centro não vai,
Pra Zona Leste não vem,
Pra quê que serve então a merda desse trem?...
Ai, Alfredo,
Que estresse,
Lá em Natal
O metrô se chama jegue
Ministério Lulalá
É puro engano
Vou mais ligeiro
No fusquinha do Armando
Teu social levado a sério
Não colou
Cadê a porra da babita
Do metrô?
A Lourdes disse, ô pá,
Armando, ó pá, confirmou:
É português o engenheiro do metrô.
Se o cabo velho gastou
Com palmeirinha a babita
Manaus inteira
Agora vai entrar na BICA!
Ai, Alfredo!
Os biqueiros ensaiando a marchinha dentro do boteco
José Klein, Rogelio Casado, Armandinho Loureiro, Ary de Castro Filho, Simão Pessoa e Mário Adolfo
José Klein e Dr. Santana iniciando o desfile, enquanto a maluquete Pepeta vai na frente, fantasiada de macho
Os biqueiros na velha e conhecida foto oficial - o objetivo era contar no ano seguinte quantos haviam faltado...
Erasmo Amazonas, Mário Adolfo, Pedro Paulo, Mestre Louro e Jomar Fernandes
Dos 30 diretores de 1989, só restavam 14 - mais da metade havia se aposentado
O economista Serafim Corrêa comandando o embalo
Edney Palafita, Dr. Santana, Serafim Corrêa e Mário Adolfo descendo a Av. Getulio Vargas
Deocleciano Souza regendo os Demônios da Tasmânia, enquanto o vocalista Biafra só falta estourar a prega rainha de tanta força que faz
Em 2003, uma série de operações da Polícia Federal sacudiu o País. A mais famosa delas, foi batizada de “Farol da Colina”, que é uma tradução livre para Beacon Hill, nome da empresa americana para onde foram destinados os recursos que saíram do Brasil via Banestado.
Pelos cálculos da PF, pela empresa passaram US$ 20 bilhões (cerca de R$ 60 bilhões) enviados irregularmente por brasileiros entre 1997 e 2002.
As operações do Ministério Público Federal e da PF desbarataram esquemas de lavagem de dinheiro pelo sistema dólar-cabo, operação na qual o doleiro recebe o dinheiro no Brasil e faz o depósito de igual quantia no exterior para o cliente, via contas CC-5, sem nenhum registro no Banco Central, usando uma contabilidade paralela feita nos dois países.
As investigações do MPF começaram por uma conta-ônibus – por meio da qual são movimentadas várias subcontas – mantida pela Beacon Hill Service Corporation no J. P. Morgan Chase Bank, em Nova York.
As subcontas eram utilizadas em grande parte, por doleiros brasileiros para a administração e o repasse de remessas ilegais e provenientes do Brasil.
Entre os presos estão Antonio de Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, apontado como um dos mais conhecidos doleiros de São Paulo, e Élio Squinazzi, ligado à corretora Split, uma das empresas que esteve no centro do escândalo dos precatórios.
Também foram detidos Gilberto Benzecry, Carlos Cortez, Manoel Cortez, Camilo Lélis de Assunção, Ulisses Alves de Oliveira, Ivan Muniz Freire, Elza Xertan e Gustavo Xertan, doleiros que seriam responsáveis por expressivas movimentações financeiras no Amazonas, Minas Gerais e Pará.
Principais auxiliares do secretário de Fazendo, Alfredo Paes, os ficais da Sefaz, Zé Ricardo e Zé Heraldo, acabaram envolvidos na operação e tendo de explicar a origem dos dólares que mantinham depositados no exterior.
Os três entregaram os cargos de confiança que ocupavam na administração do governador Eduardo Braga.
Logo em seguida, a Policia Federal desencadeou mais duas operações: a “Anaconda” e a “Praga do Egito” ou “Gafanhoto”.
O objetivo da operação “Anaconda” era o desmantelamento de uma organização criminosa que atuava em São Paulo, com ramificações nos Estados do Amazonas, Pará, Alagoas, Mato Grosso e Rio Grande do Sul intermediando sentenças judiciais favoráveis.
Na operação foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e nove pessoas foram presas.
Entre os detidos, encontravam-se um delegado e um agente da Polícia Federal (PF), uma auditora aposentada do Tesouro, três advogados e um juiz federal.
Os integrantes da organização foram indiciados por formação de quadrilha, prevaricação, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, facilitação ao contrabando, lavagem de dinheiro e concussão (extorsão cometida por servidor público no exercício de suas funções).
A operação “Praga do Egito” – também conhecida como operação “Gafanhoto” – investigou o envolvimento de autoridades públicas do Estado de Roraima num esquema de desvio e dinheiro público.
Segundo as investigações, a fraude ocorria desde 1995 e o valor do desvio pode chegar a R$ 1 bilhão.
A operação, fruto de mais de três meses de investigação da Polícia Federal, Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal, já resultou na prisão do ex-governador de Roraima, Neudo Campos, e de mais 59 pessoas que promoviam desvio de dinheiro público no Estado.
Além do ex-governador, estão envolvidos ex-parlamentares, deputados estaduais, empresários e servidores públicos.
Mas enquanto a Polícia Federal desencadeava essas operações, as aporrinhações do governador Eduardo Braga estavam apenas começando.
Em outubro de 2003, o jornalista Cláudio Humberto publicava duas notas em sua coluna, que é publicada diariamente em mais de 200 jornais brasileiros:
Um escândalo amazônico
O governador do Amazonas, Eduardo Braga, pagava salários acima de R$ 11 mil a seu motorista, entre 19 outas pessoas, escamoteados como jetons de conselheiros da Cosama. Pego em flagrante, Braga jurou que nada sabia e determinou mudanças na estatal. Mas o escândalo é maior: conselhos de administração de cinco estatais, sendo a Cosama a mais modesta, pagam jetons a 74 protegidos, no total de R$ 860 mil mensais. Mais de R$ 120 milhões por ano.
Sorte grande
Ubiracy Bezerra de Araújo não é apenas motorista, mas também sub-chefe de gabinete do governador Eduardo Braga, com salário de R$ 5 mil, além dos R$ 11 mil que embolsa como conselheiro da Cosama. A Viúva é rica.
Ainda em outubro, a jornalista Kátia Brasil, correspondente em Manaus do jornal Folha de São Paulo, publicava a seguinte matéria:
O governador do Amazonas, Eduardo Braga (PPS), criou a secretaria de Controle, Ética e Transparência para fiscalizar atos da administração e evitar desgastes como a descoberta de altos salários para secretários do primeiro e segundo escalões, entre eles os motoristas Ubiracy Bezerra de Araújo, que trabalha para Braga, e Antônio Carlos Rodrigues Fernandes, funcionário do vice-governador Omar Aziz (PFL).
Os dois motoristas têm cargos de confiança no governo e ganhavam mais de R$ 16,8 mil, sendo R$ 11 mil por serem conselheiros da Cosama (Companhia de Saneamento do Amazonas).
Entre os secretários, o do Planejamento José Carlos Braga recebia mais de R$ 18,2 mil de quatro conselhos de empresas públicas, o que elevava seu salário para R$ 35 mil.
Braga e Araújo decidiram devolver os três meses de salários, cerca de R$ 97 mil aos cofres do governo. Fernandes não se pronunciou sobre o caso.
Com a criação da secretaria, o governo Eduardo Braga diminuiu o número de conselheiro das empresas públicas e limitou os salários para R$ 1.100. Também enviou um projeto de lei à Assembléia Legislativa para nivelar os salários dos secretários.
Um Código de Ética será elaborado para o servidor público e para os funcionários do primeiro escalão do governo, por representantes do Ministério Público Estadual, Ordem dos Advogados do Brasil e pelo arcebispo de Manaus, dom Luiz Soares Vieira.
“A legislação dos conselhos permite o pagamento aos secretários, mas a devolução é um ato inerente e individual de cada secretário”, disse Braga.
Os biqueiros se aproveitaram dessa série de escândalos para meter o sarrafo nos envolvidos, sem dó nem piedade.
O resultado foi o enredo intitulado “Aqui Sefaz, Aqui se paga”, que também provocou muita polêmica.
No sábado, 24 de janeiro de 2004, o jornalista Joaquim Marinho publicou na sua coluna, no jornal O Estado do Amazonas, a seguinte nota:
Hino da BICA
Recebo do seríssimo intelectual caboclo Simão Pessoa, bilhete me informando do lançamento feito ontem do hino oficial da BICA para este ano, com os seguintes dados técnicos:
Título: Aqui Sefaz Aqui Se Paga
Compositores: Nestor Nascimento, José Ribamar Afonso, Jomar Jr. e Alcides Werk
Arranjos e harmonia: Reinaldo Moreno
Coreografia: Pepeta Close
Aqui Sefaz, aqui se paga
Roubar dinheiro público
Virou mesmo uma praga
Aqui Sefaz, aqui se paga
Se anacondar, Benzecry lava
Antonio Conselheiro
Nesse mato tem cachorro
Se eu soubesse dar conselho
Não seria gafanhoto
Era conselho de irmão
Conselho de motorista
Todo mundo bamburrando
E nóis duro aqui na BICA
O lançamento oficial da marchinha, apesar de ontem ter sido cantada pela primeira vez no próprio local do crime, o Bar do Armando, sairá na primeira semana de fevereiro com a banda, na praça São Sebastião, com tapume ou sem tapume, com protestos solenes ao cerceamento da liberdade de ir e vir pela praça.
Na quarta-feira, 28 de janeiro de 2004, o jornalista Joaquim Marinho publicou outra notinha na sua coluna, no referido jornal:
Banda da BICA
A amiga da família, Helen Benzecry, dá uma boa resposta à minha nota sobre a Banda da BICA, colocando-me alguns pingos nos is. Ei-la:
“Prezado amigo
Lamento muito em estar escrevendo para comentar negativamente sobre sua coluna.
Infelizmente tenho que discordar do senhor quanto ao título de “seríssimo intelectual” ao caboclo Simão Pessoa, pois caso o fosse, não permitiria tão estúpida letra, para seu hino.
Falo isso por me sentir profundamente ofendida quanto à alusão generalizada feita ao nome Benzecry, família da qual faço parte e tanto me orgulho, cuja acusação de lavar dinheiro nem sequer foi provada nos meios legais e que se restringe a apenas dois integrantes (sendo seus primeiros nomes sequer citados) desta família tão vasta e tão idônea.
Calúnia também é crime também e, acima de tudo, é triste quando as pessoas querem estigmatizar uma família inteira somente pela necessidade de chamar a atenção para obter fama.
Não consegui acreditar que o senhor, tão amigo da família, permitisse a publicação de tão desprimoroso hino.
Um abraço Helen”
Presidente da OAB, Alberto Simonetti (o terceiro sentado, da esquerda pra direita) garantiu a BICA o direito de ir e vir e de xingar e sacanear qualquer ladrão público
Na quinta-feira, 29 de janeiro, no Bar do Armando, a famosa comissão de notáveis juristas da BICA foi convocada para saber se a banda, efetivamente, estava cometendo alguma espécie de delito.
A decisão do colegiado foi unânime: os incomodados que fosse se queixar na Polícia Federal, onde estão correndo processos criminais.
A BICA só estava repercutindo, com bom humor e irreverência, aquilo tudo que a imprensa nacional já havia publicado. A letra oficial acabou sendo esta:
Aqui Sefaz, aqui se paga
Autores: Nestor Nascimento, Alcides Werk, Jomar Jr., Eduardo Monteiro Olímpia e Pepeta Close
Médiuns: Afonso Toscano e Simão Pessoa
Aqui Sefaz, aqui se paga
Roubar dinheiro público
Virou mesmo uma praga
Aqui Sefaz, aqui se paga
Se Anacondar o Benzecry lava! (bis)
Diz aí Adair o que te satisfaz!
A fantasia de Zé Ricardo
Zé Heraldo, Alfredo Paes
De coroinha Pepeta Close
De Passarelli ou Barrabás
Antonio Conselheiro
Nesse mato tem cachorro
Se eu soubesse dar conselho
Não seria gafanhoto
Era conselho de irmão
Conselho de motorista
Todo mundo bamburrando
E eu de fora dessa lista
A Lourdes disse
O Armando confirmou
Que nessa terra
Tem muito ladrão-doutor
E ela que é guerreira
Quer entrar na BICA
Pra ser conselheira
Na segunda-feira, dia 16 de fevereiro, o jornalista Enock Nascimento publicou a seguinte matéria no jornal A Crítica:
Crítica aos corruptos, marchinhas históricas e fantasias irreverentes. Mais uma vez, a Banda Independente da Confraria do Armando (BICA) resgatou as melhores características do antigo carnaval de rua.
Conforme os organizadores, mais de dez mil pessoas compareceram, no último sábado, ao evento gratuito, realizado em frente ao Bar do Armando (rua 10 de Julho) e na praça São Sebastião, Centro, que teve como enredo “Aqui Sefaz, aqui se paga”, em alusão às denúncias de corrupção contra os auditores ficais da Secretaria de Estado da fazenda e os salários astronômicos dos conselheiros.
No palco, se apresentaram a banda da Policia Militar e as escolas de samba da Vitória Régia e Alvorada.
Sinônimo para carnaval de rua é povo no poder. Festa que transcende as classes e ideologias sociais e torna a todos simples foliões. Ao lado de um grupo de jovens fantasiados de bebê, com frauda e chupeta, executivos e autoridades.
Caso da juíza da Primeira Vara Cível, Joana Meireles, que afirma não perder nenhuma edição do carnaval da BICA.
“É o único evento carnaval que vou porque é o único que mantém os padrões de um carnaval de rua que a gente conhece: ter enredo, ser irreverente e com a participação livre do povo”, resume, acrescentando que veio ao local sozinha porque o evento inspira segurança e convivência harmoniosa.
Segundo um dos diretores do carnaval da BICA (que devido ao tema pediu para ser identificado como conselheiro), Júlio Sá, o custo total deste ano da banda da BICA ficaria em R$ 12 mil.
Mas, os organizadores nem pensam em cobrar ingresso, o que significaria o fim da última resistência do verdadeiro carnaval de rua da cidade.
“Conseguimos pagar tudo com o dinheiro das barracas. É claro que isso não podia dar prejuízo tanto que o pão-duro do Armando, em vez de ficar se divertindo, está com o bar aberto para faturar mais um pouco”, conta o servidor público Wikens Castro, sobrindo de Júlio, e que está se preparando para participar da organização de futuros carnavais da BICA.
A universitária Iolanda Peres, 24, que afirma ter participado dos ensaios de todas as quintas na BICA, elogiava o conteúdo do enredo deste ano.
“Carnaval não é apenas uma forma de esquecer os problemas, mas representa um ato de revolução quando o povo satiriza seus algozes”, resume.
A nossa eterna rainha Petronila com o motor começando a ratear
O vocalista Biafra, dos Demônios da Tasmânia, cada vez mais se achando
Engels Medeiros tentando enganar o português mais uma vez, enquanto Jô Almeida apenas observa
Saleh Kit Kat, Lula e Gersey Nazareno mortos de loucos, enquanto o garçom Mosca Morta faz de conta que aquela confusão não é com ele
Adalberto Melo Franco, Inaldo, Américo Madrugada, Vicente Filizzola, Delcinho, Gil da Liberdade e Engels Medeiros
Afonso Toscano levando no gogó sua nova marchinha
E o militante pelas cotas raciais na Ufam e UEA, o petista Umbelino do Zumbi, mamou todas e resolveu morgar. Ah, quando Zâmbi chegar....
Na quarta-feira, dia 11 de agosto de 2004, o jornal A Crítica publicou a seguinte matéria:
Aproximadamente R$ 500 milhões. Este é o valor que teria sido desviado dos cofres públicos do Estado do Amazonas através de licitações fraudulentas realizadas ao longo dos últimos dois anos, sob o comando de uma quadrilha que tinha entre os seus beneficiários o deputado estadual Antonio Cordeiro (PPS), o ex-secretário de Estado de Fazenda, Alfredo Paes, e o atual presidente da Comissão Geral de Licitação do Estado, João Gomes Vilela.
Os três estão entre as 20 pessoas que tiveram mandado de prisão temporária expedido pela Justiça Federal, cumpridos ontem, com a deflagração da Operação Albatroz, da Polícia Federal.
O deputado não chegou a ter o mandado de prisão expedido por conta da imunidade parlamentar, mas a mulher, o cunhado e assessores dele foram detidos.
Tido como o mentor do esquema fraudulento, Antonio Cordeiro – esse sujeito aí de cima, que foi líder do governo na Assembléia Legislativa nas gestões de Gilberto Mestrinho e Amazonino Mendes, e agora do governo Eduardo Braga – teve sua casa, na Ponta Negra, e o gabinete na ALE ocupados ontem por policiais federais.
Na casa do deputado, a PF encontrou mais de R$ 600 mil em espécie e um título ao portador no valor de R$ 1,5 milhão.
Três cofres – um subterrâneo, outro no teto de um dos banheiros e um terceiro não identificado – foram localizados na residência. Neles foram encontrados dinheiro em espécie e jóias.
De acordo com a PF, a quantia era tão grande que obrigou os policiais a interromper a contagem no final da tarde. Os policiais passaram cerca de dez horas na casa do deputado.
Cordeiro é acusado de comandar várias empresas fantasmas que se beneficiavam das licitações, realizadas pela Secretaria de Estado de Infra-Estrutura (Seinf).
Até meados de março, a Seinf era comandada pelo atual candidato a vice-prefeito na chapa de Amazonino Mendes, João Bosco Saraiva.
Ontem, a sede da secretaria passou por uma varredura, onde foram apreendidos documentos e computadores. O material será mantido no depósito da Superintendência da PF, bairro Dom Pedro.
Na quinta-feira, dia 7 de outubro, o jornal O Estado de São Paulo publicou a seguinte matéria:
É aguardado para esta sexta-feira, no Fórum de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, o depoimento do filho do senador Artur Virgílio Neto (PSDB), deputado estadual Artur Bisneto (PSDB-AM), esse guapo aí de cima, candidato derrotado à Prefeitura de Manaus.
O deputado foi detido na terça-feira em Fortaleza, acusado de atos obscenos e desacato à autoridade. Segundo a imprensa local, o senador Artur Virgílio Neto, líder do PSDB no Senado, já estaria a caminho de Fortaleza para auxiliar no procedimento.
Antes, no entanto, o senador teria publicado uma nota oficial nos jornais se desculpando pelos “erros da juventude”.
Ainda de acordo com jornais de Fortaleza, o deputado, embriagado e acompanhado de dois amigos, teria feito provocações a uma comerciante, chegando a mostrar as nádegas.
A polícia foi acionada e, na delegacia, Artur Bisneto teria repetido o gesto na frente da delegada e das testemunhas. Como punição, o deputado deverá pagar apenas alternativas ou multa.
Na quinta-feira, dia 21 de outubro, o jornal Tribuna da Imprensa publicou a seguinte matéria:
Como sempre ocorre, eleição acaba sendo sinônimo de baixaria.
Em Manaus, por exemplo, de repente apareceu em um programa de televisão a médica Maria Soraia Elias Pereira (essa mocréia aí de cima), de 33 anos, acusando o candidato a prefeito do PSB, Serafim Corrêa, de se recusar a reconhecer a paternidade de um de seus filhos e ainda lhe fazer ameaças de morte.
Você acredita em coincidência?
Pois o tal programa de TV é apresentado pelo vereador reeleito Sabino Castelo Branco (PFL), esse sujeito aí de cima, e o aparecimento da médica acusando o candidato do PSB coincide com a volta do marqueteiro político Egberto Baptista à campanha do seu adversário, Amazonino Mendes, também do PFL.
Poucos lembram que Egberto foi o descobridor de Miriam Cordeiro, que na campanha presidencial de 1989 acusou o então candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, de ter pedido que ela abortasse a filha do casal, Lurian. Egberto era assessor de Fernando Collor de Mello.
Como se vê, a história se repete, mas sempre há exceções. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, foi poupado de ter de explicar ao respeitável público o caso de seu filho adulterino com uma ex-famosa jornalista da TV Globo.
FHC escapou do escândalo, porque os adversários (especialmente, Lula) o pouparam nas campanhas de 1994 e 1998. Mas não vai se livrar da Justiça, onde está correndo o processo de paternidade.
Acontece que a mesma médica já esteve envolvida em caso semelhante, em Recife, quando acusou o desembargador Etério Ramos Galvão, ex-presidente do Tribunla de Justiça de Pernambuco.
Em 2000, ela teria engravidado do desembargador, teria sido seqüestrada e submetida a um aborto forçado.
Agora, em Manaus, as acusações da Soraia a Serafim Corrêa, são muito parecidas.
Segundo a médica, o candidato a prefeito a teria engravidado em 2003, assim que ela se mudou para a capital amazonense “fugindo da perseguição do desembargador em Recife”. Sinceramente...
A armação pode pegar muito mal para a campanha de Amazonino Mendes, sobretudo porque antes da eleição o candidato Serafim Corrêa já tinha entrado com um processo judicial contra a médica, que o estaria ameaçando de escândalo.
O tiro do marqueteiro de Amazonino pode sair pela culatra.
Amazonino Mendes e Serafim Corrêa comemorando o resultado das urnas
Na segunda-feira, dia 1º de novembro, o Jornal do Brasil publicou a seguinte matéria:
O economista e ex-vereador Serafim Corrêa (PSB), de 57 anos, derrotou ontem nas urnas o ex-governador Amazonino Mendes (PFL), que já 21 anos não perdia uma eleição no Amazonas.
Ao falar sobre eleição, Serafim criticou as pesquisas que davam a vitória de Amazonino como certa, mesmo diante da disputa acirrada na capital amazonense. O socialista teve 51,68% dos votos válidos, contra 48,32% do pefelista.
– Eu sabia que ia ganhar porque o povo destacava isso, mas até o fim da votação Amazonino mantinha a farsa das pesquisas, das baixarias e de coisas sujas de pessoas que não sabem fazer política como dignidade – afirmou Serafim, no primeiro pronunciamento após o fim da apuração dos votos na sede do Tribunal Regional Eleitoral.
Serafim, que recebeu o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, ganha sua primeira eleição para um cargo do Executivo municipal depois das derrotas de 1996 e 2000 para prefeito. Ontem, ele afirmou que “vivenciou uma luta cruel durante a votação do pleito”.
– Eles tentaram de tudo para ganhar a eleição: pararam os ônibus, fizeram boca-de-urna, abusaram do poder econômico, mas Deus foi maior e vencemos as eleições – afirmou o prefeito eleito.
Amazonino Mendes, que recebeu apoio do governador Eduardo Braga (PPS), não respondeu às criticas de Serafim. Em um único pronunciamento ao lado do vereador Bosco Saraiva (PPS), seu candidato a vice, no comitê de campanha, desejou boa sorte ao novo prefeito.
– Perder faz parte do jogo. Desejo boa sorte ao novo prefeito de Manaus – disse Amazonino.
Na terça-feira, dia 21 de dezembro, o jornalista Mário Adolfo publicou a seguinte matéria no jornal Amazonas em Tempo:
O carnaval da Banda Independente da Confraria do Armando (BICA) que há 18 anos vem sendo realizado no Largo de São Sebastião, onde se encontra o tradicional bar do português Armando Soares, está tirando o sono do secretário de Cultura, Robério Braga.
O executivo que nos últimos oito anos revolucionou a cultura no Amazonas está preocupado com o peso sobre o calçamento do Largo de São Sebastião, que este ano retornou às pedras originais, fabricadas na Europa com um tipo de liga especial para que as rodas de ferro das charretes não fizessem barulho no atrito com a calçada durante os espetáculos de ópera.
O grande problema é que a mais tradicional banda de Manaus reúne todos os anos aproximadamente 40 mil pessoas, fora a quinquilharia adaptada por centenas de vendedores ambulantes.
Seria muito peso para as pedras que estão assentadas somente sobre areia branca. Para discutir o problema com os diretores da BICA, Robério Braga participou de uma reunião na noite de sábado quando foram discutidas todas as opções, entre elas um possível isolamento da área histórica da praça e a proibição de montagem de barracas sobre o piso da praça.
– A Secretaria faria um cadastro e os ambulantes ficariam perfilados no asfalto da rua 10 de Julho –, propôs o secretário.
Os diretores da BICA manifestaram sua opinião avisando de saída que também não querem prejudicar o patrimônio público, e hoje o Largo de São Sebastião é o maior cartão-postal da cidade.
– Se o Estado garantir a segurança a gente aceita, o que a gente não quer é assumir essa responsabilidade, até porque ninguém tem estrutura e nem cacife para segurar 40 mil malucos tomando cerveja desde o meio-dia – disse o jornalista Deocleciano Souza que juntamente com o juiz Jomar Fernandes, o promotor Francisco Cruz, o compositor Afonso Toscano e o jornalista Mário Adolfo participavam da reunião.
Robério Braga chegou ao Bar do Armando por volta das 19 horas, sendo recebido pela banda de metais Demônios da Tasmânia, que executou as famosas marchinhas do carnaval antigo e também algumas marchas-enredo na BICA, como “Cuscuz, pupunha e tucumã na Mansão do Tarumã”, letra bem-humorada que cita o secretário Robério.
– Esse espírito escrachado da BICA ninguém pode tirar e nem pensar em censurar. É a alma da banda – comentou Robério, entrando no clima de carnaval que tomou conta do Largo de São Sebastião.
Durante a conversa com o secretário surgiram algumas propostas como levar o trio elétrico, que sustenta o som da festa até às 3 horas da madrugada, para o cruzamento das ruas 10 de Julho e Tapajós.
Mas, parte da diretoria se manifestou contra porque isso tiraria a festa de seu principal foco que é o Bar do Armando, reduto de intelectuais, artistas, advogados, políticos e jornalistas.
– O carro deve permanecer no mesmo lugar, mas de frente pro bar, porque a tendência do folião é brincar na frente do carro do som, isso pouparia o calçadão que ficaria por trás do carro – sugeriu Jomar Fernandes.
– Mesmo assim teria de haver um cordão de policiais para impedir a passagem, porque ninguém garante que as pessoas não tentariam brincar na praça – advertiu Francisco Cruz.
Outra preocupação da reunião foi estudar uma forma de poupar o monumento em homenagem à abertura dos Portos às Nações Amigas, recentemente restaurado. “Isso talvez a gente resolva com um tapume”, disse Robério.
No fim da reunião entre biqueiros e o secretário, ficou acertado que a Secretaria de Cultura desenvolverá um projeto para alojar os vendedores ambulantes e isolar o calçadão de pedras. Uma nova reunião foi marcada para o inicio de janeiro, quando será apresentado o croqui desse estudo.
Uma coisa ficou acertada entre o secretário estadual de Cultura, Robério Braga, e os diretores da Banda Independente da Confraria do Armando. Nem os biqueiros querem danificar a praça e nem a Secretária de Cultura quer reprimir o carnaval da BICA, a maior e mais democrática manifestação carnavalesca da cidade de Manaus.
– Uma das características da BICA é a liberdade de expressão, a democracia e o anarquismo. Não teríamos como reprimir alguém ou proibir as pessoas de circulas livremente. Isso seria um paradoxo –, avaliou Deocleciano Souza, advertindo que a preocupação do secretário faz sentido e a banda está disposta a fazer concessões para não prejudicar a vida da cidade.
De acordo com o secretário Robério Braga, isto é o mais sensato, porque se isso não for feito o que vai acontecer é que “vamos nos divertir em um dia e prejudicar toda uma programação cultural de um ano inteiro” – comentou, lembrando que “orgia só é boa quando é organizada”.
Fundada em 1987, a BICA completa 18 anos em 2005. Tendo como característica enredos políticos e sátiras de fatos que agitam a vida da cidade, a BICA é a única banda que não abre mão de desfilar pelo Centro de Manaus. O roteiro começa pela 10 de Julho, o enreço do famoso bar, desce a avenida Getúlio Vargas, sobe a Sete de Setembro, a Eduardo Ribeiro e retorna novamente à 10 de Julho.
No dia 21 de dezembro, o jornal O Estado do Amazonas publicou a seguinte matéria:
Os diretores da Banda Independente da Confraria do Armando, a popular Banda da BICA, estão vivendo um dilema para o Carnaval 2005.
Realizada tradicionalmente há 18 anos em frente ao bar – na rua Dez de Julho, próximo ao Teatro Amazonas –, a BICA encontrou na revitalização da praça São Sebastião uma barreira que gerou impasse junto à Secretaria de Estado da Cultura (SEC).
No inicio da noite de sábado, o secretário Robério Braga se reuniu no local com membros do grupo para começar as negociações.
De acordo com Braga, a estrutura atual do Largo de São Sebastião não comporta o contingente atingido todos os anos na banda – em torno de 40 mil pessoas –, o que poderia gerar uma despesa a mais para o Governo logo depois do carnaval.
“As pedras não foram feitas para agüentar muito peso”, afirmou. “É claro que é importante a realização da Banda da BICA, mas temos de levar em consideração que faz parte apenas de uma data do calendário. Após o carnaval ainda existem os outros dias, e não podemos prejudicar o que já foi feito”.
Como sugestão imediata, Robério Braga sugeriu a instalação de cercas para não permitir o acesso de pessoas onde foram colocadas as pedras mais frágeis, que ficam na parte lateral do Teatro Amazonas.
Além da barreira, um contingente de policiais ficaria postado durante todo o dia para orientar os brincantes sobre a importância histórica do Largo de São Sebastião.
“Nós colocaríamos uma cerca para impedir que as pessoas ultrapassassem para aquele local onde estão as charretes”, explicou o secretário. “Para coibir o problema da falta de lugares adequados para as necessidades fisiológicas, podemos instalar dezenas de banheiros químicos, bem ao lado das ilhas de alimentação, que podem ser barracas personalizadas devidamente cadastradas”, completou.
Concordando com as argumentações do secretário, o presidente do Sindicato de Jornalistas, Deocleciano Souza, acha que é preciso uma nova adequação da banda à nova realidade, mas que o excesso pode vir a prejudicar a brincadeira.
Segundo ele, não já como impedir a circulação de vendedores ambulantes no local, apenas no complexo da praça.
“Estes vendedores sempre existiram na banda, não podemos simplesmente impedi-los de circular aqui no dia, confinando eles apenas na frente da praça”, argumenta. “É claro que nos próximos anos teremos de fazer uma reestruturação, até porque existe um projeto da SEC de fechar todo o Centro da cidade”.
O juiz Jomar Fernandes não concorda com o fato de colocar policiais na praça para impedir a passagem de brincantes para a parte lateral do teatro.
Segundo ele, a idéia bate de frente com a filosofia da banda, que é dar liberdade aos foliões com os temas políticos. “Imaginem como seria uma foto da Banda da BICA com os brincantes de um lado da cerca e os policiais de outro?”, indaga Jomar.
“Bom, está é apenas a primeira reunião de muitas que ainda faremos. Até porque o novo prefeito irá assumir e precisamos conversar com ele também”, encerrou Robério Braga.
Em uma reunião descontraída que durou aproximadamente 30 minutos estiveram presentes, além de Deocleciano Souza e Jomar Fernandes, o promotor Francisco Cruz, o jornalista Mário Adolfo e a banda que toca todos os anos na BICA, conhecidos por Demônios da Tasmânia.
No dia 23 de dezembro, a coluna “Sim & Não”, de A Crítica, na seção “Pinga Fogo”, publicou a seguinte nota:
A BICA esqueceu de divulgar seu samba-enredo. Assim, prosperam versões conflitantes do tema. “Ele foi escolhido logo após a eleição”, diz o coordenador da Banda, José Klein. O tema: “Tome Que o Filho é Teu”, baseado no “Caso Soraia”.
No dia 2 de janeiro de 2005, o anarquista semanário Maskate publicou a seguinte matéria:
A Banda Independente Confraria do Armando (BICA) desfila no sábado-magro, dia 29 de janeiro, com o tema “Toma Que o Filho é Teu”, um deboche alucinado sobre o caso Soraia, nome daquela mocréia que andou espalhando que tinha um filho do biqueiro e prefeito eleito Serafim Corrêa.
A letra da marchinha também aborda a bunda do deputado Artur Bisneto, que foi mostrada em Fortaleza (CE) e o fato de o ex-governador Amazonino Mendes não pagar IPTU.
A BICA nasceu espontaneamente no Bar do Armando num encontro de amigos, às vésperas do carnaval de 1987.
O nome foi sugerido pelo advogado Sérgio Litaiff e a banda faz sucesso desde o seu primeiro desfile, onde se mandou fazer 300 camisas, achando que eram demais. Foram vendidas 500 e ainda teve lista de espera.
Desde então a banda vem conquistando o coração de todos que passam pela praça São Sebastião no sábado magro.
A BICA arrasta hoje mais de dez mil pessoas pelas ruas do Centro, com seus bonecos mamulengos, com sua marcha satírica, com sua banda de sopros Demônios da Tasmânia e, principalmente, com a espontaneidade e o bom humor de seus foliões.
Em meio aos pais com seus filhos, avós com seus netos e moradores dos mais distantes bairros da cidade, a banda conta a presença de artistas, intelectuais, políticos e jornalistas, tendo como marca a combinação de glamour e irreverência.
Outas marcas registradas da banda são a rainha Petronila, com mais de 80 anos, e o grito de abertura de cada desfile “Que vengan los toros!”.
Quando é dado esse grito pelo general da Banda, jornalista Deocleciano Souza, e a queima de fogos ecoa na praça São Sebastião, quem não for ruim da cabeça ou doente do pé não pode deixar de cair na folia.
Afinal, são dezoito anos para comemorar e bebemorar. Quanto ao horário do desfile, a BICA é de uma pontualidade britânica: sai rigorosamente na hora que sai.
Entidade sem fins lucrativos, a banda ainda hoje é organizada na base da ação entre amigos, que todo ano lutam para pôr o bloco na rua.
Para custear as despesas de carro de som que, a cada ano, precisa ser mais potente, a confecção de camisetas, manutenção dos instrumentos e da banda de sopros, a BICA recorre ao Livro de Ouro e à venda de camisetas, o que nem sempre é suficiente.
Mas para participar da fuzarca não é preciso vestir a camiseta da banda ou qualquer outro adereço: é só ter espírito carnavalesco, alegria e – quem sabe – algum samba no pé.
No dia 8 de janeiro, o jornal O Estado do Amazonas publicou a seguinte matéria:
Na próxima quinta-feira, a Banda Independente da Confraria do Armando (BICA) dará a arrancada para a realização do seu carnaval de 2005, com a festa de lançamento oficial das camisas e do CD deste ano, ao preço de R$ 15 e R$ 10, respectivamente.
O tema do disco é “Toma que o filho é teu”, em alusão às últimas eleições municipais e ao polêmico “Caso Soraia”.
O desfile irreverente bloco carnavalesco manauara está previsto para o sábado magro, dia 29. Segundo Marco Gomes, poeta, escritor e membro da diretoria da BICA, está previsto para este mês o lançamento de um livro que conta um pouco desses 18 anos de história de folias e festas do bloco.
A obra destaca fatos engraçados e as célebres marchinhas que tanto sucesso fizeram durante todo esse tempo. O relato foi escrito pelos biqueiros Orlando Farias, Simão Pessoa e Mário Adolfo, e será vendido a R$ 10.
Os diretores do bloco estão em contato com a nova gestão municipal em busca de apoio para a instalação de banheiros e para a conservação das instalações da praça São Sebastião, inaugurada no segundo semestre de 2004.
“O Serafim é um biqueiro e tenho certeza de que vai nos fornecer banheiros móveis para ajudar na limpeza e na conservação da praça”, aposta Marco Gomes, lembrando que no desfile do ano passado um dos brincantes foi preso por urinar em via pública.
No dia 9 de janeiro, a coluna “Sim & Não”, de A Crítica, na seção “Pinga Fogo”, publicou a seguinte nota:
A Banda da BICA lança dia 20 livro editado pela Secretaria Estadual de Cultura em que narra a história de seus 17 carnavais e conta como foram elaborados alguns dos temas sobre autoridades políticas e judiciárias do Amazonas.
No dia 12 de janeiro, a coluna “Em Off”, do jornalista Rogério Pina, em A Crítica, publicou a seguinte nota:
Saco de Gatos
O samba que vai embalar a Banda da BICA este ano está um primor. Com mais de uma temática política, junta “Mad” Soraia, Sabino Castelo Branco e grande elenco.
No domingo, dia 16 de janeiro, a coluna “Número 1”, de Julio Ventilari, em A Critica, publicou a seguinte nota:
Espaço Delimitado
A Justiça garantiu a realização da Banda da BICA no seu local de origem, ou seja, no Bar do Armando. O secretário estadual de Culçtura, Robério Braga, propôs que a folia fosse transferida para o Sambódromo para evitar qualquer estrago ao projeto de recuperação da praça e do Largo de São Sebastião, mas a coordenação da banda não topou a idéia e tratou de precaver-se judicialmente. Por conta disso, Robério está providenciando o isolamento com tapumes da praça e do largo, além, é claro, do espaço em volta do teatro Amazonas. Um forte esquema policial será montado para a preservação do patrimônio histórico da área dos foliões que costumam urinar a céu aberto.
No domingo, dia 16 de janeiro, a jornalista Taliane Lucena, do Diário do Amazonas, escreveu a seguinte matéria:
Ela nasceu em 1987, na rua 10 de Julho, no Centro de Manaus. Uma menina teimosa, sem papas na língua, fala o que pensa para seu fiel publico que hoje já ultrapassa as 40 mil pessoas no sábado magro de Carnaval.
Sua sátiras, cachotas ou pode-se dizer sua irreverente gozação não deixa escapar sequer o dono da casa em que nasceu, o português Armando Dias Soares, de 69 anos, dono do tradicional Bar do Armando, na praça São Sebastião.
Seus inúmeros pais não se importam com a gozação feita impreterivelmente sobre um tema político que marcou o ano anterior, tão pouco se importam com as possíveis conseqüências. A regra é discutir um fato político em meio à festa mais popular do Brasil.
Ao nascer, a Banda Independente da Confraria do Armando, a BICA, arrastou um público que não passava de mil pessoas. O tema da marchinha daquele ano justificava seu nome e mostrava qual é o seu propósito.
Um de seus pais, o jornalista Deocleciano Bentes Souza, conta que a escolha do nome surgiu em uma das tradicionais reuniões dos amigos que freqüentavam e ainda freqüentam o Bar do Armando.
Mas o embrião da Banda da BICA surgiu nos anos de 1970, quando essa mesma turma de amigos – podemos citar os nomes de Francisco Cancela, um português já falecido, Jorge Boantes, um ator de teatro também já falecido, Walter Salgado, Deocleciano Souza, Manuel Batera, entre outros idealizadores da banda que até hoje “tomam sua birita e discutem temas importantes no Bar do Armando” – formavam um “bloco de sujos”, que se deslocava ao Centro da cidade para brincar o carnaval com outros blocos.
“Nós ficávamos brincando lá mesmo no Centro. Porque na época da ditadura militar para você brincar o carnaval você tinha de ir à Policia e se inscrever para dizer do que você iria se fantasiar. E nos éramos contra isso. O carnaval é uma festa popular. O governo, as autoridades do Estado deveriam estar só com aquilo que é institucional, como a segurança e toda infra-estrutura de rua, e não se intrometer na manifestação de cada individuo”, relembra Deocleciano.
A idéia da Banda da BICA é fazer uma sátira sobre um acontecimento político marcante no País ou Estado. Este ano, com o tema “Toma que o filho é teu”, vem mostrar episódio da campanha política pela Prefeitura de Manaus no ano passado.
O episódio que envolveu na época o então candidato Serafim Corrêa e a médica Soaraia Elias Pereira, que o acusava de não ter assumido um filho que teria tido com o agora prefeito, foi o tema escolhido pela banda neste ano.
A autoria da letra que compõe a marchinha foi dada aos já falecidos Sabá Raposo, José Fernandes, Metralha e Áureo Nonato como uma forma de homenageá-los.
A letra descreve, além do escândalo “Soraia”, outros episódios, como a prisão do deputado estadual Artur Bisneto, acusado de mostrar as nádegas em plena praça pública na cidade de Eusébio, no Estado do Ceará, e ainda relatos da Operação Albatroz, deflagrada pela Polícia Federal antes das eleições de 2004.
“É uma característica da banda. A gente sempre tem uma critica política, a idéia sempre foi essa. Reunimos pessoas que eram e são contestadoras, como jornalistas, advogados, juizes, promotores, poetas, escritores, entre outros pensadores. Ao longo desses anos, a gente vem mantendo essa tradição, fazendo críticas a políticos, a comportamentos políticos, que é a idéia oficial da banda”, ressalta o jornalista.
Outra característica da Banda da BICA é durante a marcha, que sai da rua 10 de Julho, segue pela Getúlio Vargas, e retorna ao local da partida pela 7 de Setembro e a Eduardo Ribeiro, só tocar marchinha de Carnaval. Seja a música composta especialmente para a banda ou músicas dos saudosos carnavais das décadas de 1940, 1950, 1960.
É impreterivelmente proibido tocar outros tipos de música, como axé, pagode, forró e brega, entre tantos outros ritmos já incorporados ao período carnavalesco. Por esse motivo é que a cúpula de organizadores da banda atribui o seu crescente número de freqüentadores e adeptos todos os anos.
“As pessoas que freqüentam a BICA, os biqueiros, são aquelas que não gostam de ouvir outro tipo de música na festa do carnaval. É por isso que o público da BICA é composto de pessoas já de mais idade – que freqüentavam aqueles velhos bailes de Carnaval –, além de um público jovem adepto deste tipo de música”, disse Deocleciano.
A exceção como explica, acontece nas duas primeiras horas em que a banda começa, quando ainda é permitido tocar uma ou outra música de escolas de samba. A seguir, noite afora, a BICA toca somente marchinhas de Carnaval e, por várias vezes, a sua própria composição.
“A BICA não é uma entidade, não tem estatuto, não tem regimento, não tem nada. Ela é uma união de pessoas que resolveram fazer o Carnaval aí a gente vende as camisas e paga os músicos. Não cobramos ingressos, nem pretendemos cobrar nunca ingresso. Não tem fins lucrativos, a finalidade é brincar o carnaval”, afirma.
Segundo Deocleciano, um dos principais temas da banda foi uma sátira feita sobre uma determinação do então governador Gilberto Mestrinho de liberar a matança de jacarés no Amazonas.
Na história da BICA, nem a igreja evangélica escapou. O episódio em que um pastor chutou a imagem da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, virou tema da marchinha de carnaval com o “Xô, Satanás”.
E por conta dos temas polêmicos, a BICA já sofreu pressões para que se “calasse”.
Em 1995, ao satirizar o TRE em função de denúncias de fraudes nas urnas durante as eleições, houve uma tentativa de impedir que a banda saísse.
“Teve um desembargador que ordenou a Polícia impedir que a banda tocasse. Mas era impossível conter 40 mil pessoas na rua”, recorda Deocleciano.
A banda também tem sua rainha, a dona Petronila, de 74 anos, que hoje, por problemas físicos, não desfila mais à frente da banda. Mas os organizadores desde o ano passado levam bonecos que a homenageiam.
A famosa BICA vai virar história contada em um livro feito pelos seus organizadores. No dia 20 deste mês será o lançamento do livro “A BICA e o Carnaval Amazonense”.
Para manter a tradição, a festa acontece no sábado magro de Carnaval, neste ano, no próximo dia 29. A tradicional banda Demônios da Tasmânia, composta por 17 músicos, vai animar e tocar as marchinhas.
O futuro da BICA? Das tradicionais marchinhas de Carnaval? Quem sabe? Não importa!
Uma coisa o amigo português garante. “Não adianta insistir para fazer outra banda aqui no meu bar. Pois ele é da BICA e aqui ela vai ficar”, diz Armando.
No dia 19 de janeiro, a coluna “Sim & Não”, de A Crítica, na seção “Pinga Fogo”, publicou a seguinte nota:
O livro “Amor de BICA”, sobre os 18 anos da banda de carnaval mais irreverente da cidade, foi apresentado ontem à imprensa. O lançamento ocorre amanhã, às 19h, no Espaço Cultural da BICA (rua Dez de Julho).
Amecy Souza e Armando, com o livro sobre a história da BICA
Na quinta-feira, dia 20 de janeiro, o jornalista Juliana Belota, de O Estado do Amazonas, escreveu a seguinte matéria:
A diretoria da BICA lança hoje às 21 horas, no Bar do Armando, o livro “Amor de BICA”, um relato bem-humorado dos 18 anos da banda, escrito pelos jornalistas Simão Pessoa, Orlando Farias, Mário Adolfo e Marco Gomes.
Segundo Simão Pessoa, o livro surgiu de uma conversa com o secretário de Cultura Robério Braga, na qual observaram que o carnaval da cidade não tinha mamória. O antigo Clube da Mocidade, por exemplo – movimento anterior a BICA – cairia fatalmente no esquecimento, assim como a Banda da BICA – a segunda de Manaus, fundada em 1987.
“Com o apoio do Robério, que declarou o interesse da Secretaria Estadual de Cultura (SEC) e a reunião do grupo de jornalistas que topou o desafio, o livro está sendo lançado hoje, com o objetivo de custear as despesas com o tro elétrico e da banda para o carnaval”.
Segundo Simão, daqui até a data de saída da Banda da BICA, no dia 29, haverá dois ensaios gerais, a começar de hoje, sempre às quintas-feiras, no bar do Armando, onde o livro está à venda por R$ 20. “Pela primeira vez os custos com a banda não sairão dos bolsos dos biqueiros”, lembra.
Na divisão do trabalho, Marco Gomes se encarregou de fazer uma coordenação da seleção musical que consta no livro e Mário Adolfo se dedicou ao relato de alguns episódios históricos, como a primeira viagem de Armando a Portugal de 1988.
“O bar fechou e nós, que só sabíamos beber lá, comprávamos cerveja em lata para beber na praça”, conta Marco Gomes. “Um exemplo de outro episódio marcante citado por Mário Adolfo no livro é o que narra a emoção do Armando na recepção do título de Cidadão Amazonense”, destaca.
Quanto ao seu trabalho e o de Orlando, que deu sua visão de todo o movimento, Simão Pessoa afirma que selecionou todos os enredos e relacionou cada um à respectiva conjuntura do País e da cidade para situá-lo dentro do contexto em que foi feito.
“Fiz isso com todos os sambas desde 1987 até o ano passado com o ‘Aqui Sefaz Aqui Se Paga’, samba que relatou a série de operações da Policia Federal que sacudiu o País na ocasião – ‘Farol da Colina’, ‘Gafanhoto’ e outros escândalos do mesmo porte”, explica.
Este ano a banda conta com duas letras que passarão pelo crivo do prefeito Serafim Corrêa hoje, quando uma elas – a menos agressiva – será selecionada para ir à avenida.
Pessoa explica que a banda, que sempre fez oposição construtiva sem adversários políticos, tem este ano o biqueiro prefeito “sacaneado” nas duas marchas do tema “Toma que o Filho é Teu”.
“O enredo da Banda este ano relata o episódio Soraia em plena campanha eleitoral e irá para avenida exatamente a letra que não for escolhida pelo Serafim”, brinca.
Para o jornalista Mário Adolfo, o livro ressalta o caráter irreverente da banda que surgiu em 1987 e tem a característica de tratar de temas políticos irônicos.
“Ele relata enredos que a BICA cantou ao longo do tempo como, por exemplo, a mansão do Amazonino, o caso da venda de alvarás por certo magistrado, o caso do Expresso do ex-prefeito Alfredo Nascimento, entre outros”, afirma.
Mário Adolfo, que é um dos fundadores da banda junto com personalidades como Mário Frota, Artur Neto e Deocleciano Souza, destaca que o que chama a atenção da Banda da BICA é que ela trata como humor de problemas da realidade da cidade.
“Este projeto já estava pronto há 15 anos e já seria bom o suficiente com os causos contados de 10 anos da BICA, mas com os autores que conseguimos reunir e a qualidade do trabalho que a BICA vem desenvolvendo como a banda mais irreverente de Manaus, talvez a mais importante, ele ganha um valor especial”.
Dentre os casos mais recentes relatados do livro, além do tema da marcha campeã deste ano, estão, conta Adolfo, o do deputado Artur Bisneto, na ocasião em que mostrou a bunda em Fortaleza e o da Operação Albatroz, que derrubou figurões da política amazonense e foi deflagrada pela Polícia Federal em 2004.
Segundo Simão Pessoa, a Banda da BICA, este ano, sofre um impasse porque o atual secretário estadual de Segurança, Francisco Sá Cavalcante, deu declarações de que a Banda da BICA não sai este ano. “Eu não o conheço, não sei quem ele é, mas sei que deu declaraçõse sobre o ‘bando de irresponsáveis’ que fazem parte da banda”.
Hoje, afirma Pessoa, começam os ensaios e será a hora de ver o que será da BICA com a lei seca decretada pelo secretário. “No Rio de Janeiro, a Banda de Ipanema, há dois anos, foi tombada pelo prefeito César Maia como bem de cultura imaterial. Queremos aproveitar que o Serafim é biqueiro pra ver se o poder público aqui não deixa acabar essa paixão manauara”.
Pessoa lembra que muita gente da periferia de Manaus nem brinca carnaval, mas desce na BICA. “É uma instituição da cidade de Manaus, uma banda que só toca marchas e samba, nada de axé, brega e outras coisas. Na BICA não tem briga e ninguém nunca se machucou”.
Após roubar o Livro de Ouro da fundação da BICA e mandar recuperá-lo para poder, a partir da pesquisa, compor a estrutura óssea do livro “Amor de BICA”, Pessoa declara ter vontade de entregá-lo a um museu de cultura, mas afirma, que por enquanto, será entregue, hoje, ao Armando mesmo.
“Ideal seria que a Banda da BICA chegasse a esse ponto, em que, mesmo que os seus dirigentes não queiram ir pra rua, o poder público faça a banda sair. Seus dirigentes hoje são juizes, prefeitos, magistrados e o próximo passo agora é conquistar a ONU”, brinca Simão, “para parar com os conflitos no Oriente Médio e só brincar carnaval”.
Mestre Casqueta, Simão Pessoa e Caio do Cavaco treinando uma marchinha para apresentar na BICA
Na quinta-feira, dia 20 de janeiro, o jornalista Jony Clay Borges, de A Crítica, escreveu a seguinte matéria:
Num esquentar dos tambores para a Banda Independente Confraria do Armando, a popular BICA, no próximo dia 29, a diretoria do grupo realiza hoje o lançamento do livro “Amor de BICA”, que conta a história dos 18 anos de realização da festa. Como não poderia deixar de ser, o evento acontece no Bar do Armando, a partir das 19h.
“Amor de BICA” é uma história de folia e irreverência, contada num relato bem-humorado redigido a oito mãos pelo escritor Simão Pessoa, pelos jornalistas Orlando Farias e Mário Adolfo e pelo atual presidente do Coletivo Gens da Selva, Marco Gomes. Em texto e imagens, o livro registro momentos importantes da história da banda independente.
O projeto foi apresentado por Marco Gomes a Robério Braga, secretário estadual de Cultura, que ofereceu apoio à publicação da obra. Os autores, em conjunto, abriram mão dos direitos autorais. Toda a renda obtida com a venda da obra será revertida para a realização da atual edição da banda, no dia 29 de janeiro. O livro estará à venda por R$ 20.
Segundo Orlando, na época da ditadura, as mesas do Bar do Armando tradicionalmente serviam como local de reunião para alunos universitários e professores, que ali podiam falar o que não se podiam dentro da universidade.
Já nos anos 70, o local era palco de pequenas folias no período de Carnaval que mais tarde, com o fim do regime militar, puderam ser mais ousados.
“Na década de 80, quando a BICA surgiu, foi uma conseqüência dessa tradição. Todos éramos pessoas de esquerda, sofremos com a ditadura e quisemos fazer a ‘revolução do copo’, ‘revolução do bar’”, afirma o jornalista, que assina a coluna “Sim & Não” de A Crítica. “Aquelas pessoas que ali se reuniram nunca perderam a rebeldia”, completa.
Graças a seu caráter anárquico e crítico, próprio do verdadeiro espírito carnavalesco, a banda fez sucesso e começou a atrair as pessoas.
Por vezes, lembra Simão Pessoa, a festa “não oferecia o mínimo conforto, a banda era ruim e o som era ruim”, mas isso não evitava que muita gente ainda a considerasse uma das melhores bandas de Carnaval. Com isso, “o que era uma coisa de 50 pessoas acabou virando um negócio de 20 mil. Virou uma instituição”, comenta o escritor.
Simão acrescenta que os meios de comunicação também ajudaram a dar força à folia. Nesse sentido, ele lembra que A Crítica foi o primeiro jornal a divulgar a banda independente. “O primeiro jornal a entrar na história da BICA foi A Crítica”, comenta o escritor.
Conforme Simão, responsável pela organização e edição do material, o registro do evento nos jornais, ao longo dos anos, foi a principal fonte para a reconstituição histórica em “Amor de BICA”.
“(Quando me convidaram) eu disse, o livro da BICA está escrito nos jornais, o que podemos fazer é pegar tudo e montar”, conta o escritor, que logo convidou para o projeto Mário Adolfo e Orlando Farias, “um pessoal da área que divulga a BICA”.
Entre outras coisas, a obra traz uma transcrição do estatuto da BICA, escrito em 1987 no Livro de Ouro da confraria por Heloísa Chaves, primeira secretária da iniciativa folia.
Outro destaque da obra são as homenagens feitas a nomes importantes, que freqüentaram o Bar do Armando, participaram da BICA e também fizeram história em Manaus.
Entre eles, estão Antonio Paulo Graça, professor de Letras da Universidade Federal do Amazonas e Rosendo Lima, professor de Filosofia da mesma instituição – este um dos primeiros a defender a causa ecológica em Manaus e que foi torturado por sua filiação ao PCdoB, durante a ditadura.
Para animar ainda mais o lançamento, a noite também vai contar com a disputa para a escolha do enredo da BICA 2005.
A contenda será entre duas marchinhas sob o tema “Toma que o filho é teu!” – uma referência ao tumultuoso e polêmico Caso Soraia, ocorrido nas recentes eleições para prefeito em Manaus e amplamente divulgado pela imprensa.
As composições já estão registradas em CD, Conforme a tradição, a autoria delas é atribuída a personalidades já falecidas que fizeram parte da história da BICA.
Assim, uma das marchinhas foi composta – ou psicografada, por assim dizer – por um grupo liderado por Sabá Raposo, assessor de comunicação morto no ano passado, enquanto a outra foi criação de uma equipe comandada pelo radialista da Difusora Crisantho Jobim, também falecido no ano passado.
Além do Caso Soraia, Simão conta que as marchinhas abordam ainda os escândalos do deputado Antonio Cordeiro e do atentado ao pudor protagonizado por Artur Bisneto em Fortaleza, Ceará.
A escolha será feita, segundo o escritor, pelo atual prefeito Serafim Corrêa, também freqüentador do Bar do Armando.
“Quando a gente começava a sacanear os caras nas músicas, ele era o primeiro a pegar as letras”, lembra Simão, comentando que já existe uma expectativa pela aparição de Serafim ao bar, onde ainda não esteve como prefeito.
Também na noite de hoje serão apresentadas as candidatas ao cargo de rainha da BICA – sendo todas, naturalmente, viçosas senhoras de mais de 60 anos de idade.
Durante a festa, a animação será garantida pelo grupo musical Demônios da Tasmânia. Sem dúvida, vale a pena conferir!
Silene e Joaquim Marinho, Simão Pessoa e Sinval Carlos, ex-presidente da ABAV em Manaus
Na quarta-feira, dia 26 de janeiro, o jornalista Joaquim Marinho, de O Estado do Amazonas, publicou a seguinte nota:
Livro da BICA na escola???
Não sei quem foi o autor da idéia, tremendamente porra-louca, de se mandar para as escolas municipais o recém-lançado “Livro da BICA”, um maravilhoso levantamento feito a oito mãos pelo Marquinhos, Simão Pessoa, Mário Adolfo e o meu querido companheiro do jornal A Crítica, Orlando Farias, redator da coluna “Sim & Não”, e que deu o furo.
“Amor de BICA” está ótimo, merece correr o Brasil inteiro, tem seqüências impagáveis e historicamente importantes, tanto que a Secretária de Cultura assumiu a sua publicação, mas ser adotado pelas escolas municipais me parece forte demais.
E olha que não sou puritano, nem censor e muito menos antibiqueiro como o atual secretário de Segurança, e estou mais para o senador Jefferson Peres que também pouco bebe como eu, e que fez uma curtida análise de que esta é mais uma lei a não pegar.
Na quinta-feira, dia 27 de janeiro, a coluna “Sim & Não”, de A Crítica, publicou a seguinte nota:
Golpe do 171
Por meio de um comunicado lavrado em Cartório de Títulos e documentos, a ECAD ameaça proibir o carnaval da BICA neste sábado. Ela quer receber R$ 800 mil em direitos autorais pelos 18 anos de carnaval de rua. “É o golpe do 171”, bradou ontem o coordenador José Klein, lembrando que todas as músicas da banda são de autoria de seus compositores.
Na sexta-feira, dia 28 de janeiro, o jornal Diário do Amazonas publicou a seguinte matéria:
Uma tentativa de organizar sem, contudo, reprimir o espírito de liberdade e irreverência da mais famosa banda de Manaus, a Banda Independente da Confraria do Armando (BICA).
Esse foi o espírito da reunião entre o secretário estadual de Cultura, Robério Braga, e parte da diretoria da banda, representada pelo juiz Jomar Fernandes e jornalista Mário Adolfo.
O encontro foi realizado na quarta-feira na sede da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), quando Robério apresentou a planta para tentar proteger o sítio histórico da praça, que este ano recebeu o piso original, feito com uma liga desenvolvida na Europa.
A planta agradou aos diretores da BICA porque, de acordo com o croqui, os biqueiros perderão apenas o espaço da rua José Clemente que passa em frente ao African House, e parte da rua Tapajós, mais precisamente no trecho em frente à escada de acesso ao Teatro Amazonas, onde também foi colocado o calçadão original.
Esses dois espaços serão protegidos por tapumes e por um esquema de segurança para evitar a invasão.
“Estamos fazendo isso, com o apoio da BICA, porque na reconstrução do entorno original do Teatro Amazonas, as pedras estão afixadas sobre areia e não suportariam o peso da multidão que freqüenta a banda. Depois tem o problema das churrasqueiras que com certeza deixariam marcas nas pedras desenvolvidas com uma liga inglesa que parece borracha”, explicou Robério.
O governo do Estado, por meio da SEC, também ficará responsável pela colocação dos banheiros químicos.
Ficou acertado na reunião que serão dez banheiros, colocados em número de dois (para homens e mulheres) em cinco ponto do Largo de São Sebastião para ajudar na preservação do patrimônio.
Os biqueiros também pretendem convocar uma reunião com a Prefeitura de Manaus para tentar controlar a invasão de ambulantes que começam a se posicionar na praça 48 horas antes da gandaia começar.
De acordo com os diretores da banda, esse controle será necessário deste ano porque o espaço não será total como nos outros anos.
Na sexta-feira, dia 28 de janeiro, a coluna “Portal”, de O Estado do Amazonas, publicou a seguinte nota:
Bica Brother Brasil
A Banda da BICA será policiada como nunca. Oito câmeras de vídeo foram instaladas para acompanhar tudo o que se passar entre os foliões. Hoje, os equipamentos serão testados. O objeto é reduzir o índice de violência e garantir a segurança dos carnavalescos.
Na sexta-feira, dia 28 de janeiro, a coluna “Sim & Não”, de A Crítica, publicou a seguinte nota:
Banda
O vereador Francisco Praciano vai apresentar projeto tornando a Banda da BICA, que faz carnaval neste sábado, patrimônio municipal, como ocorre no RJ com a Banda de Ipanema. O objeto é permitir que ela passe a ter acesso a financiamentos, patrocínios e verbas públicas.
No sábado, dia 29 de janeiro, a colunista Betsy Bell publicou no jornal O Estado do Amazonas a seguinte nota:
Toma que o filho é teu
Dois bicudos ao se bicam, mas na BICA tudo pode acontecer. Afinal, o vereador Sabino Castelo Branco quer aparecer hoje no reduto, onde o prefeito Serafim Corrêa também já confirmou presença. É o encontro dos dois desafetos fazendo parte do Carnaval.
No dia do desfile da banda, as duas marchinhas foram tocadas alternadamente para alegria da galera. Curtam vocês também:
Nega Maluca
Autores: Luizinho Sá, Sabá Raposo, Metralha e Áureo Nonato
Médiuns: Mário Adolfo, Edu do Banjo e Mestre Pinheiro
Intérprete: Pessoal do Curumim
Tava no Armando
Tomando meu pifão
Anunciou na televisão
Sarafa nas tamancas pulou
Comeu Nega Maluca
E a maluca engravidou
Soraia, ah, ah, ah, ah!
Ai, ai, ai, isso cheira a armação
Ai, ai, ai, isso é coisa do Negão
Sou português,
Mas não sou otário
Fiz vasectomia
Na cabeça do Carvalho, ai, ai, ai!
Vade retro Amazonino
Esse menino é a cara do Sabino
Leva essa trolha pro rabo de lá
Vou ao Ratinho pra pedir DNA
De cueca samba-acnção
Eu já ganhei a eleição
Já vi a bunda branca do Artur
Até paguei o IPTU
Minha BICA tem voto e voz
Mas Cordeiro quer dinheiro
A gente chama a Albatroz
Par Perfeito
Autores: Crisanto Jobim, Luiz Almeida Marrom e Tié
Médiuns: Davi Almeida, Simão Pessoa e João Bosco Chamma
Intérprete: Davi Assayag
Na eleição pra prefeito
Um par perfeito apareceu
Sabino e Soraia, vixi, vixi
Falando que o Sarafa lhe comeu
Se comeu, fez muito bem
Quem come sapo
Não dá mole pra ninguém
Aqui na BICA
O bicho vai pegar
Não tem culpa eu?
Vá fazer DNA
No Ceará um deputado estadual
Mostrou a bunda encarando qualquer pau
E na colméia uma abelha se ferrou
Cordeirinho era lobo, descobriram e se lascou
Armando disse ô pá,
A Lourdes completou
Quem come essa Soraia
Pode ser governador ôôôô
Um bucho desses,
Ó Sarafa, tenha dó,
É muito mais escroto
Que a gestão do Carijó!
Na segunda-feira, 31 de janeiro, o jornalista Osmar Gusmão, de A Crítica, escreveu a seguinte matéria:
Nem a chuva, que não deu nenhuma trégua aos foliões manauenses, impediu que o sábado magro de Carnaval fosse animadíssimo, com programações para várias idades e gostos. Já à tarde, a Banda Independente Confraria do Armando (BICA) comprovou que o manauense está cheio de pique para brincar o Carnaval 2005.
Mesmo com a chuva ininterrupta, que começou a cair quando a banda foi oficialmente aberta e acompanhou todas as horas da folia que durou até o inicio da madrugada de domingo, as 35 mil pessoas que lotavam as ruas Dez de Julho, Costa Azevedo e a Praça São Sebastião não arredaram o pé.
E no clima de chuva, suor e cerveja – como na música de Caetano Veloso –, a Banda da BICA comprovou, em sua 18.º edição, que é o maior e mais tradicional evento de rua do Carnaval manauense. Até mesmo o prefeito Serafim Corrêa participou da banda.
“Participo há 18 anos. Nos outros 17 anos, quando os temas abordavam outras pessoas, eu vim. Nesse, em que o tema tem a ver comigo, eu vim também”, disse, referindo-se ao tema “Toma que o filho é teu”, que abordava o “Caso Soraia”, artifício utilizado contra o candidato nas eleições municipais de 2004.
“A BICA é um estado de espírito. Temos de levar a vida brincando, senão morremos mais cedo”, disse o prefeito.
O mesmo estado de espírito era compartilhado por Maria Denize Santos de Oliveira, 63, que brincava carnaval na chuva com as netas, e por Viviane Andrade, 23, que era uma das brincantes mais empolgadas.
“Sou de Recife e vim da terra do frevo para conhecer o Carnaboi, mas estou adorando isso aqui. As pessoas lá fora não tem idéia do que é isso aqui. Pensam que Manaus não tem nada”, disse.
Na segunda-feira, dia 31 de janeiro, a coluna “Sim & Não”, de A Crítica, publicou a seguinte nota:
Bica dos metais
A BICA sofreu muito em 2005 com o sumiço de várias bandas de ruas da região. Daí ter aparecido uma taxa maior de jiu-jiteiros. Nada que ofuscasse o carnaval de metais. Nada que Edu do Banjo não pudesse aplacar no comando da folia. E melhor. O público amou a bela interpretação de Davi Assayag num dos sambas-enredo.
Na terça-feira, dia 1º de fevereiro, a coluna “Portal”, de O Estado do Amazonas, publicou a seguinte nota:
Câmeras da Polícia mostram que são um grande aliado
As oito câmeras de vídeo instaladas pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP/AM) para monitorar a banda da BICA, no último sábado, deram resultado. Da central de controle foi possível observar, por meio de várias telas, os delitos mais comuns neste tipo de evento: furtos de celular e de carteiras porta-cédulas, além de jóias.
Na banda da BICA, a estratégia mais comum flagrada pelas câmeras foi a de grupos de quatro a cinco pessoas que imprensavam a vítima e, em seguida, um dos integrantes dessas turmas fazia o serviço, ou seja, retirava o que era possível em poucos segundos da pessoa que se transfomara em alvo.
A polícia está tentando identificar e prender esses marginais. Se não conseguir, vai monitorá-los nas próximas bandas. Quinta-feira, a Secretaria de Segurança Pública instalará câmeras no Centro de Convenções (Sambódromo).
As autoridades aconselham os foliões a deixar celulares e carteiras em casa, levando apenas o necessário (documento de identificação e dinheiro).
A estratégia de instalar câmeras de monitoramento em áreas estratégicas da cidade tem se revelado eficiente.
A polícia não revela, mas vários outros locais de Manaus estão sob vigilância. É como se vivêssemos uma espécie de Big Brother Baré.
No dia 3 de fevereiro, a coluna “Sim & Não”, de A Crítica, na seção “Pinga Fogo”, publicou a seguinte nota:
A Banda da BICA decidiu processar criminalmente o ECAD pela acusação de que ela tocaria em seus carnavais marchinhas fora de seu repertório próprio. “A BICA não precisa recorrer a músicas de outros autores porque tem seus próprios compositores”, diz o coordenador José Klein.
Pedro Paulo, Jomar Fernandes, Afonso Toscano e Mário Adolfo se preparando para começar o desfile