quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Nasce a Banda do Boulevard


Quando o bairro da Vila Municipal (hoje Adrianópolis) foi criado, em maio de 1901, a lei que deu a denominação de suas ruas já falava em Boulevard Amazonas como marco fronteiriço do novo bairro, donde se conclui que a avenida surgiu antes da criação da Vila Municipal.

A pedra fundamental do Reservatório do Mocó foi lançada em 1893, conforme publicou o jornal “Amazonas”, edição de janeiro de 1894.

O mesmo jornal noticiou proposta para abertura do bairro do Mocó, em 1893.

Tudo leva a crer que o Boulevard Amazonas já existia entre 1893 a 1901.

A imponente avenida que liga o bairro da Praça 14 ao bairro de São Raimundo foi batizada de rua Aristides Rocha, depois de rua do Cemitério, mas, finalmente, pela Lei nº 1477, de 16 de abril de 1928, foi oficializada como Boulevard Amazonas.


Em 1972, entretanto, por iniciativa do então vereador Praxiteles Antony, o boulevard passou a se chamar Avenida Senador Álvaro Maia em homenagem ao ex-governador do Amazonas.

Homem de poucas palavras e ex-goleiro do Nacional Futebol Clube, Praxiteles Antony era vereador pela Aliança Renovadora Nacional (Arena).

A princípio, alguns de seus pares não concordavam com a alteração, alegando que Boulevard Amazonas era uma avenida tradicional e que o povo também não concordaria com a mudança.

Sugeriram, ante a sua intransigência, que pelo menos ficasse como Boulevard Álvaro Maia. Não houve acordo algum. O autor da proposta manteve a sua decisão.

A lei foi aprovada e sancionada pelo prefeito Paulo Pinto Nery, tomando o número 1028, mas a população continuou se referindo ao logradouro como Boulevard Amazonas.

O local sempre foi palco de muitas manifestações culturais: no Seringal Mirim funcionava o curral do famoso bumbá Mina de Ouro e no clube Internacional era realizado o famoso Baile da Jardineira, uma boneca gigante semelhante a Kamélia.


Luis Claudio Chaves, um dos fundadores da banda e seu atual presidente

A Banda do Boulevard surgiu em fevereiro de 1987 e foi fundada por moradores do Boulevard Amazonas, atletas de natação do Olímpico Clube e jogadores de voleibol do Rio Negro que se reuniam, aos sábados, no quintal da casa do professor Cleomenes Chaves para realizar animadas rodas de samba.

Entre os atletas de natação estavam Ricardo Chaves de Carvalho, Luis Cláudio Chaves, Cláudio Nobre, Jeférson e Ajuricaba Mascarenhas.

Entre os atletas de vôlei, Carlos Alberto Carvalho Jr. e Colúmbia.

Entre os moradores do Boulevard, Carlos e Janete Carvalho, professor Maneca e Luiza Chaves, Antônio Alves, José Roberto, Mauro, Caio e Éber Jr.

Naquele ano, eles decidiram realizar a famosa roda de samba na frente da casa do professor Cleomenes, localizada no Boulevard Amazonas, nº 206.

A fuzarca aconteceu no Domingo Gordo de carnaval, dia reservado ao desfile dos chamados “Blocos de Sujos”, que desciam a Djalma Batista (na época João Alfredo), transformada no novo palco oficial do carnaval manauara.

A partir do ano seguinte, em 1988, por iniciativa de Cláudio do Carmo Chaves, a Banda do Boulevard, já devidamente estruturada e organizada como uma autêntica agremiação carnavalesca, passou a adotar como tema sempre alguma manifestação ligada ao bairro, em forma de homenagem a personagens, lugares e costumes.

Em 2008, por exemplo, o tema da banda foi “Domingo no Parque”, que fazia referência ao estádio de futebol Parque Amazonense, inaugurado em 1912. Atualmente o campo está completamente abandonado.

Em 2009, o tema foi “Ser Jovem é Saber Envelhecer” e, de acordo com o coordenador Luís Cláudio Chaves, era uma homenagem aos próprios moradores do lugar: segundo ele, a maioria dos donos de residências do Boulevard já está na terceira idade.

Nos primeiros anos, a banda descia a avenida Djalma Batista, subia o Beco do Macedo e voltava para o Boulevard Amazonas, passando por trás do cemitério São João Batista.

Com o crescimento do público – no ano passado cerca de 70 mil pessoas participaram da fuzarca –, não foi mais possível o deslocamento da banda e a festa acontece no meio da rua.

De 1999 a 2005, a Banda do Boulevard não foi realizada por uma série de fatores, entre eles a construção do viaduto do Boulevard e a negativa da Prefeitura de interromper a avenida para a realização da festa.

Além disso, as cervejarias patrocinadoras da banda passaram a exigir que o evento fosse realizado em local fechado a fim de garantir exclusividade na venda de seus produtos.

Os diretores da banda argumentaram, na época, que fazer o evento em local fechado seria o mesmo que matar a essência do carnaval de rua, democrático, popular, livre, sem muros e aberto a todos que quisessem participar.

Entre perder a identidade que norteara sua fundação e a opção de não realização da banda, os diretores preferiram a segunda opção.

Felizmente, em 2006, a Prefeitura passou a apoiar o evento e segue até hoje fornecendo som, palco e iluminação, além de providenciar o desvio do trânsito.


As escolas de samba Reino Unido, Vitória Régia, Grande Família e Aparecida se apresentam com suas baterias e não cobram cachê.

O resto da festa é comandado pela própria bateria da Banda do Boulevard, que este ano voltará a ter 100 ritimistas.

A atual comissão organizadora da banda é composta por Luis Cláudio Chaves, juiz de Manacapuru, e pelos músicos Paulo Onça, João Mota e Delega do Samba, entre outros.

Os compositores oficiais são Paulo Onça e Joca de Carvalho, mas a cada ano eles recebem convidados para eventualmente participarem da criação do samba.

Este ano, além de Paulo Onça e Joca de Carvalho, Papaco e Delega do Samba também assinam a obra.

A convite de Luis Cláudio Chaves, o cantor Zeca Pagodinho fez uma participação especial na gravação do samba, intitulado “Boulevard: 120 anos de Cultura Popular”.

“O carnaval de rua é o que temos de mais espontâneo, é algo ligado às próprias origens do samba que, afinal, não nasceu dentro de clubes ou de casas de espetáculos, mas no seio do povo. No carnaval de rua, todos, ainda que por um breve momento, são iguais”, diz Luis Cláudio Chaves. “Agora, acho que as cervejarias deveriam patrocinar estes eventos e não somente, de maneira predatória, com apenas a ânsia de querer vender seus produtos”.

“Elas encontram a festa pronta e estacionam seus caminhões para fornecer seus produtos aos ambulantes. É preciso que avancem no conceito e na prática da responsabilidade social e parem de agir como donos de garimpo querendo apenas tirar o que puder”, desabafa Luis Cláudio. “É preciso que entendam seu papel e responsabilidade com a cultura desta terra, como, aliás, fazem em outros estados, mas aqui no Amazonas seus diretores ainda estão longe disso, salvo raríssimas exceções como a Magistral que sempre apoiou e apoia o carnaval de rua”.

Os diretores da banda se orgulham de realizar uma das mais prestigiadas festas do carnaval manauense sem cobrar nada do público. Mas, também, pedem mais apoio oficial.

“As secretarias de Cultura poderiam olhar por nós, pois na hora de colocar a foto grande, estão lá, mas para pagar uma banda é uma lenda”, diz Paulo Onça.

A Banda do Boulevard acontece no Domingo Gordo, com concentração a partir das 14h. A ordem é chegar cedo, encher a moringa se divertir pra valer. Evoé, Momo!


Cláudio Nunes, Mota, Paulo Onça e Edmundo Soldado


Auzier do Samba soltando o vozeirão


Frank do Cavaco mandando ver


Marquinho da Celia e Frank da Mia


Elétrica da 14 quebrando legal


Martinha, Xavier, Luis Cláudio, Mota e Rosângela Popopô


Mestre Pinheiro e o lendário Amaury, ex-goleiro do América


Garfinho do Pandeiro


A muvuca começando a ferver


Paulo Onça comandando o embalo


Bateria do GRES Reino Unido da Liberdade


Luis Cláudio, Paulo Onça, Mestre Pajé e Neguinho do Samba


Uma das mulatas que não estão no mapa

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